{"id":212,"date":"2021-11-20T17:07:22","date_gmt":"2021-11-20T17:07:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/veduta\/?p=212"},"modified":"2021-12-09T17:55:38","modified_gmt":"2021-12-09T17:55:38","slug":"arvores-monumentais-conhecer-para-valorizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/arvores-monumentais-conhecer-para-valorizar\/","title":{"rendered":"\u00c1rvores Monumentais: conhecer para valorizar"},"content":{"rendered":"<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_1-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\">Foto Diego Alves<\/span>\n  <span class=\"legend\"><i>Fraxinus angustifolia<\/i> \u2013 Alameda de 300 exemplares classificados de interesse pu\u0301blico, Marva\u0303o, Portalegre<\/span>\n  <\/div><\/div>\n<div id=\"sec2\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_2-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Canforeira <i>(Cinnamomum camphora)<\/i> \u2013 Classificada de interesse pu\u0301blico, Sa\u0303o Martinho do Bispo, Coimbra<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<div class=\"indent-wrapper\">Pelas suas caracter\u00edsticas incomuns, as \u00e1rvores monumentais, t\u00eam-se tornado objeto de fasc\u00ednio e venera\u00e7\u00e3o desde tempos imemoriais. Na verdade, o apre\u00e7o por estas \u00e1rvores confunde-se com a pr\u00f3pria origem da  Humanidade.<\/div>\n<p class=\"indent\">Presentes na paisagem urbana, rural ou natural, estas \u00e1rvores desempenham m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es. Est\u00e3o relacionadas com aspetos de frui\u00e7\u00e3o pessoal e est\u00e9tica, por exemplo ao traduzirem sensa\u00e7\u00f5es de beleza e bem-estar, reduzindo a contamina\u00e7\u00e3o auditiva e melhorando a nossa sa\u00fade. Tamb\u00e9m valorizam os espa\u00e7os onde se encontram face ao seu elevado valor paisag\u00edstico. A n\u00edvel ecol\u00f3gico, entre muitas outras fun\u00e7\u00f5es, renovam o ar atmosf\u00e9rico, interv\u00eam ativamente na mitiga\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e constituem eixos de conetividade e fomento de biodiversidade. Se pensarmos que uma \u00fanica \u00e1rvore antiga constitui o lugar de abrigo, alimento e reprodu\u00e7\u00e3o de mais de 2 000 esp\u00e9cies de seres vivos diferentes, como fungos, l\u00edquenes, plantas e animais e que alguns deles vivem a\u00ed em exclusividade, ent\u00e3o o que aconteceria caso a \u00e1rvore deixasse de existir? A perda de biodiversidade seria enorme!<\/p>\n<p class=\"indent\">Desde a antiguidade s\u00e3o conhecidas as \u00e1rvores sagradas, as protetoras, as pol\u00edticas ou as da sa\u00fade, representando a mem\u00f3ria viva e identit\u00e1ria de uma determinada comunidade. Estas \u00e1rvores destacam-se pelo seu elevado valor hist\u00f3rico e cultural ao serem contadoras de est\u00f3rias, mitos e lendas, sendo ainda testemunhas de factos hist\u00f3ricos. Assumem tamb\u00e9m, sobretudo nas \u00e1reas mais rurais, uma importante base do desenvolvimento econ\u00f3mico, criando in\u00fameros benef\u00edcios sociais. Tamb\u00e9m constituem polos de promo\u00e7\u00e3o educativa e tur\u00edstica, uma tend\u00eancia que se tem vindo a verificar em Portugal, nos \u00faltimos anos.  Por estas raz\u00f5es, importa conhecer e divulgar estes aut\u00eanticos monumentos vivos para que desta forma os possamos proteger, enquanto patrim\u00f3nio arb\u00f3reo de inestim\u00e1vel valor cuja heran\u00e7a \u00edmpar nos liga \u00e0 vida dos nossos antepassados e molda o nosso territ\u00f3rio.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec3\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_3-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Alameda de 37 Pla\u0301tanos sp.  com  151 anos classificada de interesse pu\u0301blico, Jardim da Cordoaria, Porto<\/span>\n  <\/div>    <\/p>\n<h2 class=\"indent\">Enquadramento legal<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Portugal apresenta uma das legisla\u00e7\u00f5es mais antigas da Europa na mat\u00e9ria de prote\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores monumentais, com a \u201cProte\u00e7\u00e3o das \u00c1rvores Nacionais\u201d, sob a guarda do Estado, em 1914<sup>1<\/sup>. Esta legisla\u00e7\u00e3o foi subsequente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da \u201cAssocia\u00e7\u00e3o Protectora da \u00c1rvore\u201d<sup>2<\/sup>. Contudo, s\u00f3 em 1938 h\u00e1 efeitos pr\u00e1ticos desta prote\u00e7\u00e3o, com a institui\u00e7\u00e3o da figura de Arvoredo de Interesse P\u00fablico, em Decreto Lei<sup>3<\/sup>, que vigorou at\u00e9 \u00e0 atual legisla\u00e7\u00e3o, a Lei n.\u00ba 53\/2012, de 5 de setembro<sup>4<\/sup>, regulamentada pela Portaria n.\u00ba 124\/2014, de 24 de junho<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">De salientar, o facto de o regime jur\u00eddico em vigor permitir a classifica\u00e7\u00e3o de Arvoredo de Interesse Municipal, de acordo com regimes pr\u00f3prios de classifica\u00e7\u00e3o concretizados em regulamento municipal, conforme se encontra previsto no artigo 3.\u00ba, n\u00ba 12 e 13 da Lei n.\u00ba 53\/2012, de 5 de setembro e no artigo 2.\u00ba, n.\u00ba 2 da Portaria 124\/2014 de 24 de junho. A classifica\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o de Arvoredo de Interesse Municipal veio permitir o reconhecimento de arvoredo cujas caracter\u00edsticas n\u00e3o cumpram os requisitos nacionais, mas que constituam \u00e1rvores de refer\u00eancia a n\u00edvel municipal.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec4\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_4-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Carvalho de Calvos<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<h2 class=\"indent\">Mas quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas que permitem distinguir as \u00e1rvores monumentais de outros exemplares da sua esp\u00e9cie?<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Ao abrigo da legisla\u00e7\u00e3o atualmente em vigor, pelas suas caracter\u00edsticas singulares, como o porte, o desenho, a idade, a raridade ou pelo seu elevado valor natural, hist\u00f3rico, cultural ou paisag\u00edstico, as \u00e1rvores podem ser consideradas de relevante interesse p\u00fablico e, como tal, recomendada a sua cuidada conserva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, por isso, pass\u00edveis de classifica\u00e7\u00e3o de Arvoredo de Interesse P\u00fablico. O patrim\u00f3nio arb\u00f3reo classificado assume assim, um estatuto similar ao patrim\u00f3nio constru\u00eddo classificado.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">Para efeitos do disposto na legisla\u00e7\u00e3o o Arvoredo de Interesse P\u00fablico \u00e9 pass\u00edvel de classifica\u00e7\u00e3o dentro das seguintes categorias: exemplar isolado e conjunto arb\u00f3reo que abrange os povoamentos florestais, bosques ou bosquetes, arboretos, alamedas e jardins de interesse bot\u00e2nico, hist\u00f3rico, paisag\u00edstico ou art\u00edstico.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec5\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_5-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Carvalho-alvarinho <i>(Quercus robur)<\/i> \u2013 \u00c1rvore classificada de interesse pu\u0301blico, Cava do Viriato, Viseu<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">No caso portugu\u00eas cabe, atualmente, ao Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF, I.P.) a gest\u00e3o deste patrim\u00f3nio cujo invent\u00e1rio se encontra dispon\u00edvel para consulta p\u00fablica no Registo Nacional do Arvoredo de Interesse P\u00fablico (RNAIP)<sup>6<\/sup>. Nesta base de dados encontram-se os processos de classifica\u00e7\u00e3o desenvolvidos desde 1939 at\u00e9 \u00e0 atualidade sendo poss\u00edvel descobrir verdadeiros monumentos vivos<sup>7<\/sup>. Tamb\u00e9m a hist\u00f3ria passada de Portugal ter\u00e1 sido importante para a diversidade de arvoredo classificado, pois com a Expans\u00e3o Ultramarina assistiu-se \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas que, atendendo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do pa\u00eds, se desenvolveram e tornaram-se exemplares verdadeiramente not\u00e1veis.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">Que \u00e1rvores se encontram classificadas de Arvoredo de Interesse P\u00fablico?<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Em Portugal, temos por exemplo, a \u00e1rvore mais alta da Europa, um eucalipto (<i>Eucalyptus diversicolor<\/i> Muller), com 72 m de altura, localizado na Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra, que sobreviveu ao inc\u00eandio de 2005. Outras \u00e1rvores s\u00e3o recordistas em per\u00edmetro do tronco (14,05 metros de per\u00edmetro \u00e0 altura do peito), como por exemplo o castanheiro (<i>Castanea sativa<\/i> Miller) de Vales, em Tresminas, no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Em 2020, este castanheiro milenar ganhou o concurso \u201c\u00c1rvore Portuguesa do Ano\u201d representando Portugal no concurso europeu. Em \u00c1guas de Moura, no concelho de Palmela, encontra-se o \u201cAssobiador\u201d, o mais antigo e produtivo sobreiro (<i>Quercus suber<\/i> L.) existente no mundo.  Pela sua produtividade encontra-se registado no livro de records \u201cGuinness World Records\u201d. Deve o seu nome ao som originado pelas numerosas aves que costuma abrigar na sua enorme ramagem.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec6\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_6-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Azinheira, Cova Iria, Fa\u0301tima<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Em 2018, ganhou a 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o do concurso europeu \u201c\u00c1rvore Europeia do Ano\u201d. Uma das maiores canforeiras (<i>Cinnamomum camphora<\/i> L.) existentes em Portugal, e muito possivelmente da Europa, encontra-se na parte Norte da Escola Superior Agr\u00e1ria de Coimbra, em S\u00e3o Martinho do Bispo, por detr\u00e1s do apeadeiro da Comboios de Portugal (C.P.) de Bencanta. Classificada de \u00c1rvore de Interesse P\u00fablico, desde 1969, apresenta um porte not\u00e1vel e copa muito densa e frondosa. A sua idade \u00e9 incerta, mas certamente ter\u00e1 chegado depois da Rota do Cabo, ter permitido a introdu\u00e7\u00e3o na Europa de novos produtos, entre outros, do ch\u00e1, do caf\u00e9, do tabaco, da mandioca, da pimenta, da canela, do anan\u00e1s e claro est\u00e1 da c\u00e2nfora. Tamb\u00e9m com um extraordin\u00e1rio porte, o bicenten\u00e1rio pinheiro-manso (<i>Pinus pinea<\/i> L.) da Azenha da Ordem, no concelho de Sesimbra, assume-se como um elemento de destaque na paisagem, ao Km 17 da E.N. 379 no Alto das Vinhas. Encontra-se classificado desde 1943.<\/p>\n<p class=\"indent\">Quanto \u00e0s \u00e1rvores com um desenho peculiar assinala-se o pinheiro (<i>Pinus pinaster<\/i>, Aiton) serpente da Mata Nacional de Leiria. O fuste de v\u00e1rias pernadas estende-se pelo solo, ocupando uma \u00e1rea de cerca de 260 m2. A \u00e1rvore tenta assim, defender-se da a\u00e7\u00e3o dos ventos salgados que sopram do mar. Tamb\u00e9m o cedro-do-bu\u00e7aco (<i>Cupressus lusitanica<\/i> Miller), do Jardim do Pr\u00edncipe Real, em Lisboa, apresenta in\u00fameros ramos imbrincados nos ferros do caramanch\u00e3o que sustentam uma copa larga (superior a 30 m), que confere sombra a quem procura este Jardim. Com 156 anos e 7 m de altura foi a primeira \u00e1rvore a ser classificada de interesse p\u00fablico, em 1940. Destaca-se ainda a forma bizarra dos troncos e porte dos pl\u00e1tanos centen\u00e1rios do Jardim da Cordoaria, no Porto. Os troncos curtos e desproporcionalmente engrossados s\u00e3o assim possivelmente devido a uma doen\u00e7a que os ter\u00e1 afetado ainda jovens. Em 1950, nas p\u00e1ginas <i>d\u2019O Tripeiro<\/i>, Jo\u00e3o Moreia da Silva, chamava-os de \u201cverdadeiros monstros\u201d. Hoje a sua presen\u00e7a n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec7\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_7-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Castanheiro de Vales<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">No nosso pa\u00eds, tamb\u00e9m se assinalam \u00e1rvores recordistas em longevidade, como por exemplo, o carvalho-alvarinho (<i>Quercus robur<\/i> L.) de Calvos, em P\u00f3voa do Lanhoso. Com mais de 500 anos \u00e9 considerado o mais antigo da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e o segundo da Europa. Em 2005, a inaugura\u00e7\u00e3o do Centro de Interpreta\u00e7\u00e3o Ambiental do Carvalho de Calvos (CICC) tem celebrado esta not\u00e1vel \u00e1rvore, constituindo um espa\u00e7o de aprendizagem, pela promo\u00e7\u00e3o de atividades de lazer e educativas dirigida a diferentes p\u00fablicos. Tamb\u00e9m se verificam v\u00e1rios exemplares de oliveiras (<i>Olea europaea<\/i> L. var. <i>europaea<\/i>), com idades superiores a 1 000 e 2 000 anos, apresentando a mais antiga, a oliveira do Mouch\u00e3o, em Mouriscas, no concelho de Abrantes uns respeitosos 3 350 anos; segue-se a oliveira \u201cPortugal\u201d, de Santa Iria da Az\u00f3ia, no concelho de Loures, com 2 860 anos e a oliveira de Pedras D\u2019El Rey, no concelho de Tavira, com 2225 anos.<\/p>\n<p class=\"indent\">Com 314 anos, o teixo (<i>Taxus baccata<\/i> L.) do Museu do Brincar (Solar de Santa Rita), em Seia, constitui um representativo exemplar da floresta da Laurissilva. Esta esp\u00e9cie, outrora disseminada pelo pa\u00eds, surgia com frequ\u00eancia na topon\u00edmia antiga de vilas, aldeias e lugares, como \u00e9 exemplo a Vila Nova do Teixoso, ou de nomes pr\u00f3prios, como o de Teixeira, ambos derivando da palavra primitiva \u201cteixo\u201d. Atendendo \u00e0 sua toxicidade sofreu um abate expressivo (s\u00f3 o fruto &#8211; arilo -, presente nos exemplares femininos \u00e9 comest\u00edvel). Contudo, esta esp\u00e9cie revelou-se de valor inestim\u00e1vel, pois dela extrai-se o \u201ctaxol\u201d, subst\u00e2ncia usada no tratamento de v\u00e1rios tipos de cancro. Com grande simbolismo e devo\u00e7\u00e3o a azinheira (<i>Quercus ilex<\/i> ssp. <i>rotundifolia<\/i>) da Cova da Iria est\u00e1 tradicionalmente associada \u00e0s apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora de F\u00e1tima. Citada em v\u00e1rios documentos primitivos referentes \u00e0s apari\u00e7\u00f5es com o nome de \u201cAzinheira Grande\u201d, encontra-se classificada de Arvoredo de Interesse p\u00fablico, desde 2007. Tamb\u00e9m o multisecular freixo (<i>Fraxinus angustifolia<\/i> Vahl) da Quinta da Fonte Real, no concelho da Lourinh\u00e3, se encontra classificado de Arvoredo de Interesse P\u00fablico, desde 2002. Conta a tradi\u00e7\u00e3o popular que D. Pedro, quando vinha das ca\u00e7adas, la\u0301 para os lados da Serra D\u00b4El-Rei, parava neste local para se refrescar e dar de beber aos cavalos, numa nascente que aqui existe, seguindo depois caminho para se encontrar com D. Ine\u0302s, em Coimbra.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec8\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_8-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Cipreste (Cupressus lusitanica) com 141 anos de idade, classificada de Interesse Pu\u0301blico, Jardim do Pri\u0301ncipe Real, Lisboa<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">A Cava do Viriato, antiga fortaleza localizada em Viseu, est\u00e1 classificada como Monumento Nacional, pelo IGESPAR. Tamb\u00e9m todo o seu arvoredo se encontra igualmente protegido desde 1969, podendo-se contemplar bel\u00edssimos exemplares monumentais de carvalho-alvarinho, eucaliptos, pl\u00e1tanos, outras muitas outras esp\u00e9cies. Cr\u00ea-se que neste local as Legi\u00f5es Romanas ou os Lusitanos ali tiveram o seu campo entrincheirado.<\/p>\n<p class=\"indent\">Por \u00faltimo, destaca-se um dos mais ic\u00f3nicos conjuntos de \u00e1rvores em Portugal. Trata-se de uma alameda, com mais de 1 Km, de altos e frondosos freixos (<i>Fraxinus angustifolia<\/i> Vahl) centen\u00e1rios, implantados de ambos os lados da EN 246-1 na Portagem (entre a liga\u00e7\u00e3o de Marv\u00e3o e Castelo de Vide). Estes freixos apresentam no seu tronco como imagem de marca, uma larga lista pintada de cal branca, que embeleza a estrada mais fotografada do pa\u00eds. Outrora frequentes, estas alamedas flanqueadas por duas ou mais filas de \u00e1rvores, adornavam as vias de comunica\u00e7\u00e3o. Contudo, s\u00e3o cada vez mais raras no pa\u00eds, tendo sido derrubadas face \u00e0s atuais exig\u00eancias de seguran\u00e7a da circula\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec9\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_9-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Oliveira Pedras d\u2019El Rey<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<h2 class=\"indent\">Quem pode iniciar uma proposta de classifica\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Qualquer cidad\u00e3o pode propor para classifica\u00e7\u00e3o exemplares isolados ou conjuntos arb\u00f3reos, bastando para isso, apresentar junto do ICNF, o requerimento desenvolvido para o efeito<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<\/div>\n<h2 class=\"indent\">Quais as amea\u00e7as a este patrim\u00f3nio?<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>No territ\u00f3rio nacional, associado a este arvoredo, registaram-se v\u00e1rios fatores de amea\u00e7a como a fragmenta\u00e7\u00e3o do <i>habitat<\/i>, pelo isolamento, press\u00e3o urbana e conflitos com infraestruturas verificando-se uma crescente banaliza\u00e7\u00e3o e simplifica\u00e7\u00e3o da paisagem. Ainda a expans\u00e3o de monoculturas e de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas com caracter invasor, os inc\u00eandios ou a pr\u00e1tica de rolagens que desfiguram o seu porte e diminuem consideravelmente a sua capacidade de resist\u00eancia. Tamb\u00e9m a pr\u00f3pria idade avan\u00e7ada, torna estes seres not\u00e1veis mais suscet\u00edveis \u00e0 a\u00e7\u00e3o de pragas, doen\u00e7as ou de agentes atmosf\u00e9ricos contribuindo, frequentemente, para o aumento da sua fragilidade. Para al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se assiste ao desconhecimento do real valor deste patrim\u00f3nio atendendo aos atos de vandalismo, \u00e0 falta de invent\u00e1rio, ao abandono e \u00e0 indiferen\u00e7a a que \u00e9 votado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec10\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_10-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Freixo, Lourinha\u0303<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Em algumas situa\u00e7\u00f5es, estas \u00e1rvores sofrem excesso de visita\u00e7\u00e3o, em virtude da sua notabilidade. Respeitar estas \u00e1rvores \u00e9 admirar o seu porte a uma certa dist\u00e2ncia, tal como fazemos num museu ao apreciar uma obra de arte. Se pensarmos que um grupo de 15 pessoas pesa cerca de 1 tonelada, o peso exercido pelos visitantes, junto a uma \u00e1rvore, ir\u00e1 compactar o solo, danificando e dificultando o arejamento das suas ra\u00edzes. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente cr\u00edtica nas \u00e1rvores antigas cujas ra\u00edzes se encontram nas camadas superficiais do solo e estendem-se numa \u00e1rea muito para l\u00e1 da proje\u00e7\u00e3o da copa.<\/p>\n<p class=\"indent\">Para al\u00e9m disso, algumas destas \u00e1rvores seculares, como as oliveiras t\u00eam despertado grande interesse comercial, levando ao seu arranque massivo do local de origem para transplanta\u00e7\u00e3o. Muitas acabam por morrer pelas irrecuper\u00e1veis les\u00f5es que sofrem. Importa reverter esta situa\u00e7\u00e3o, atuando pela sensibiliza\u00e7\u00e3o e contribuir para a sua classifica\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o legal, pois estas mem\u00f3rias vivas da nossa paisagem agr\u00edcola merecem morrer no local onde nasceram, cresceram e envelheceram.<\/p>\n<p class=\"indent\">Estes condicionantes t\u00eam conduzido ao decl\u00ednio de \u00e1rvores saud\u00e1veis, agredindo n\u00e3o apenas \u00e1rvores antigas, como tamb\u00e9m \u00e1rvores jovens, com um forte impacto na renova\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores monumentais no nosso pa\u00eds. Urge, por isso, atuar no terreno, com uma gest\u00e3o adequada destas \u00e1rvores, uma vez que se estas perderem o papel que desempenham n\u00e3o poder\u00e3o ser substitu\u00eddas por outras mais novas.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec11\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_11.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Pinheiro serpente, Leiria<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<h2 class=\"indent\">Podem as \u00e1rvores monumentais contribuir para contrariar o <i>plant blindness<\/i>?<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>No caso das \u00e1rvores monumentais importa aumentar a compreens\u00e3o p\u00fablica do valor que representam para a nossa vida quotidiana contrariando-se desta forma o fen\u00f3meno <i>plant blindness<\/i> (\u201ccegueira bot\u00e2nica\u201d). Este fen\u00f3meno, descrito pela primeira vez por Wandersee &#038; Schussler (1999)<sup>9<\/sup> explica a incapacidade de as pessoas verem ou perceberem as plantas no seu ambiente, ou de apreciarem a sua beleza e as suas caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas, levando-as \u00e0 incapacidade de reconhecerem a import\u00e2ncia que assumem para a Biosfera e para o pr\u00f3prio Homem.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">Assim, enquanto elementos integrantes da paisagem as \u00e1rvores apresentam-se como um potencial de promo\u00e7\u00e3o da cultura cient\u00edfica. Ao constitu\u00edrem um recurso de f\u00e1cil acesso, proporcionam experi\u00eancias de explora\u00e7\u00e3o e de questionamento direto que, em muito contribui para a compreens\u00e3o mais sistematizada de fen\u00f3menos f\u00edsicos, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos abordados no dom\u00ednio das disciplinas de STEM (Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica). Permitem, identicamente, explorar conte\u00fados que incidam sobre a vida quotidiana, contribuindo para o desenvolvimento do esp\u00edrito cr\u00edtico e uma maior consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao mundo da Bot\u00e2nica com a tomada de decis\u00f5es mais fundamentadas e respons\u00e1veis.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec12\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_12.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Pinheiro, Sesimbra<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Deseja-se, por isso, potenciar a discuss\u00e3o, a reflex\u00e3o e a melhoria do conhecimento atual sobre as \u00e1rvores monumentais, contribuindo para criar uma consci\u00eancia social da import\u00e2ncia que assumem e aumentar o sentimento de perten\u00e7a individual e de comunidade.<\/p>\n<p class=\"indent\">Vamos unir esfor\u00e7os para que tenhamos \u00e1rvores saud\u00e1veis que merecem desenvolver-se em pleno, tornando-se contadoras de hist\u00f3rias, testemunhas de viv\u00eancias e abrigo de muitos seres vivos e que sejam admiradas por muitos mais anos. Vamos inspirar-nos a todos, a atuarmos colaborativamente para um futuro melhor.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec13\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_13.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Sobreiro, A\u0301guas de Moura, Palmela<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<div class=\"notes\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-6\">\n<div class=\"hiper-wrapper\">\n<div class=\"cont\">\n                        <span class=\"hip\">NOTAS DE FIM<\/span><span class=\"item\">1&emsp;Regulamento de prote\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores nacionais, aprovado pelo Decreto n.\u00ba 682, de 23 de julho de 1914.<br \/>2&emsp;Lei n.\u00ba 118, de 16 de mar\u00e7o de 1914<br \/>3&emsp;Decreto-Lei n.\u00ba 28 468, de 15 de fevereiro de 1938. Regula o arranjo, incluindo o corte em derrama, das \u00e1rvores em jardins, parques, matas ou manchas de arvoredo existentes nas Zonas de Prote\u00e7\u00e3o de Monumentos Nacionais, edif\u00edcios de interesse p\u00fablico e edif\u00edcios do Estado de reconhecido valor arquitet\u00f3nico. \u2013 Link<br \/>4&emsp;Lei n.\u00ba 53\/2012. D.R. n.\u00ba 172, S\u00e9rie I de 2012-09-05. Aprova o regime jur\u00eddico da classifica\u00e7\u00e3o de arvoredo de interesse p\u00fablico (revoga o Decreto-Lei n.\u00ba 28 468, de 15 de fevereiro de 1938). \u2013 Link<br \/>5&emsp;Portaria n.\u00ba 124\/2014. D.R. n.\u00ba 119\/2014, S\u00e9rie I de 2014-06-24. Estabelece os crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o e desclassifica\u00e7\u00e3o de Arvoredo de Interesse P\u00fablico (AIP), os procedimentos de instru\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o e define o modelo de funcionamento do Registo Nacional do Arvoredo de Interesse P\u00fablico (RNAIP). \u2013 Link<br \/>6&emsp;Registo Nacional do Arvoredo de Interesse P\u00fablico (RNAIP)<br \/>7&emsp;Arvoredo de Interesse P\u00fablico: um patrim\u00f3nio a preservar<br \/>8&emsp;Requerimento de Classifica\u00e7\u00e3o de Arvoredo de Interesse P\u00fablico<br \/>9&emsp;Wandersee, J., &#038; Schussler, E. (1999). Preventing plant blindness. The American Biology Teacher, 61(2), 82-86. doi:10.2307\/4450624<br \/>\n                        <\/span>\n                    <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"col-lg-6\">\n<div class=\"hiper-wrapper\">\n<div class=\"cont\">\n                        <span class=\"hip\">HIPERLIGA\u00c7\u00d5ES<\/span><span class=\"item\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/followmytree\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"instagram.com\/followmytree\">Followmytree<\/a><\/span><span class=\"item\"><a href=\"mailto:raquellopes@ua.pt\" rel=\"noopener\" title=\"raquellopes@ua.pt\">raquellopes@ua.pt<\/a><\/span>\n                    <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec14\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recorda-se da \u00e1rvore da sua inf\u00e2ncia? Ou aquela plantada pelos av\u00f3s num dia de celebra\u00e7\u00e3o? Ainda estar\u00e3o vivas? Ou a que se tornou num importante elemento visual e ic\u00f3nico da paisagem di\u00e1ria. Ou outras, aut\u00f3ctones ou n\u00e3o, que sempre as conheceu assim, de caracter\u00edsticas excecionais e de verdadeira monumentalidade? S\u00e3o estas as \u00e1rvores que iremos explorar.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-212","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=212"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":396,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/212\/revisions\/396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}