{"id":214,"date":"2021-11-20T17:28:30","date_gmt":"2021-11-20T17:28:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/veduta\/?p=214"},"modified":"2021-12-21T10:53:52","modified_gmt":"2021-12-21T10:53:52","slug":"arvoredo-de-interesse-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/arvoredo-de-interesse-publico\/","title":{"rendered":"Arvoredo de interesse p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_1-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">\u201cUma \u00e1rvore \u00e9 uma vida. E uma velha \u00e1rvore merece o respeito que devemos a um homem velho.\u201d<br>Jo\u00e3o de Meira, 1905<\/span>\n  <\/div>\n<div class=\"indent-wrapper\">No que toca ao patrim\u00f3nio arquitet\u00f3nico, hist\u00f3rico, facilmente reconhecido pela comunidade como importante bem a proteger, a classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia e assume a sua import\u00e2ncia, j\u00e1 a classifica\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio arb\u00f3reo, \u00e1rvores e jardins, n\u00e3o segue a mesma l\u00f3gica.<\/div>\n<p class=\"indent\">Uma vez que este patrim\u00f3nio nacional \u00e9 de excecional valor, \u00e9 de todo importante que seja amplamente valorizado e divulgado, servindo de est\u00edmulo para um maior envolvimento da sociedade em geral na sua inventaria\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o. Esses espa\u00e7os s\u00e3o um patrim\u00f3nio comum, de todos, cujos benef\u00edcios podem ser valorados, estudados, enumerados, mensurados, e apreciados desde variadas perspetivas. Mas conhec\u00ea-los n\u00e3o \u00e9 suficiente, \u00e9 preciso saber comunicar este conhecimento se queremos valorizar e proteger este patrim\u00f3nio arb\u00f3reo.<\/p>\n<p class=\"indent\">A classifica\u00e7\u00e3o de arvoredo de interesse p\u00fablico atribui ao arvoredo um estatuto similar ao do patrim\u00f3nio constru\u00eddo classificado sendo um instrumento essencial para o conhecimento, salvaguarda e conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"indent\">A prote\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores singulares e os conjuntos arb\u00f3reos, deve ser assegurada por todos, quer estejam em espa\u00e7o p\u00fablico, quer em espa\u00e7o privado, atrav\u00e9s de um apelo ao esp\u00edrito c\u00edvico, pois pretende-se introduzir novas atitudes e h\u00e1bitos na comunidade.<\/p>\n<p class=\"indent\">De forma a colmatar esta necessidade e dar a conhecer todo o patrim\u00f3nio arb\u00f3reo de Guimar\u00e3es, ou pelo menos o mais representativo, \u00e9 de todo o interesse fazer a sua inventaria\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies consideradas not\u00e1veis a n\u00edvel municipal, e, em alguns casos, caso se justifique classifica-las de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"indent\">As esp\u00e9cies isoladas e os arvoredos classificados como interesse p\u00fablico e\/ou municipal que, no futuro, fa\u00e7am parte de um conjunto alargado e representativo na regi\u00e3o, poder\u00e3o ser pontos de interesse de rotas, percursos ou itiner\u00e1rios que permitam divulgar um riqu\u00edssimo patrim\u00f3nio arb\u00f3reo que poder\u00e1 ser associado a outros pontos de interesse tur\u00edstico e patrimonial.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">A import\u00e2ncia do arvoredo urbano<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Cada cidade tem o seu modelo de arboriza\u00e7\u00e3o urbana que, mediante v\u00e1rios fatores climat\u00e9ricos, biof\u00edsicos, urbanos, etc, pode influenciar diretamente ou indiretamente o seu funcionamento, qualidade de vida dos seus habitantes e at\u00e9 n\u00edveis de conforto. No entanto, \u00e9 poss\u00edvel encontrar semelhan\u00e7as ao n\u00edvel das tipologias, sendo usual encontrarmos ruas arborizadas, pra\u00e7as e jardins, parques p\u00fablicos e matas urbanas, hortas e logradouros privados, entre os mais frequentes, onde a concentra\u00e7\u00e3o e tipo de esp\u00e9cies \u00e9 elevado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec2\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_2-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Bosque urbano da alameda S. D\u00e2maso, centro da cidade de Guimar\u00e3es, 2017<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Entre os diversos benef\u00edcios proporcionados pela presen\u00e7a da vegeta\u00e7\u00e3o, sobretudo em ambientes urbanos, destacam-se alguns, de elevada import\u00e2ncia, que s\u00e3o reconhecidos pela popula\u00e7\u00e3o em geral, mas sobretudo pela comunidade cient\u00edfica<sup>1<\/sup>:<\/p>\n<ol>\n<li>Melhoria da qualidade do ar, atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da temperatura e da absor\u00e7\u00e3o de poluentes na atmosfera;<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o da escorr\u00eancia superficial e da eros\u00e3o, atrav\u00e9s da precipita\u00e7\u00e3o retida na copa, como da a\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes na fixa\u00e7\u00e3o do solo;<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o dos gastos de energia e do efeito \u201cilha de calor\u201d, devido \u00e0 sombra criada pelas \u00e1rvores e consequente aumento da humidade do ar;<\/li>\n<li>Abrigo \u00e0 fauna existente;<\/li>\n<li>Melhoria da sa\u00fade mental e f\u00edsica;<\/li>\n<li>Aumento da consci\u00eancia ecol\u00f3gica;<\/li>\n<li>Aumento do valor econ\u00f3mico das propriedades;<\/li>\n<li>Melhoria da seguran\u00e7a (redu\u00e7\u00e3o do crime).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"indent\">Segundo Louren\u00e7o (2015), tratando-se de espa\u00e7os com diferente car\u00e1cter, usos e fun\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel observar diferentes configura\u00e7\u00f5es na instala\u00e7\u00e3o do arvoredo; nas matas as \u00e1rvores est\u00e3o agrupadas em massas, nas ruas arborizadas o mais habitual \u00e9 a presen\u00e7a de apenas uma esp\u00e9cie, instalada em alinhamentos com um compasso regular, nos parques e jardins, p\u00fablicos ou privados, s\u00e3o muito frequentes esp\u00e9cies ex\u00f3ticas instaladas em grupos ou isoladas como elementos de pontua\u00e7\u00e3o ou refer\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"indent\">Por vezes, alguns destes grupos de \u00e1rvores, ou mesmo \u00e1rvores isoladas ganham notoriedade pelos mais diversos motivos, mas geralmente porque adquiriram qualidades not\u00e1veis de porte, raridade e longevidade tendo persistido ao longo dos tempos e sobrevivido \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da malha urbana, acabam por se tornar elementos incontorn\u00e1veis da paisagem urbana e da hist\u00f3ria dos locais onde se inserem.<\/p>\n<p class=\"indent\">Segundo a Woodland Trust<sup>2<\/sup>, uma \u201c\u00e1rvore singular\u201d designa aquelas que, pela idade, tamanho ou raridade s\u00e3o elementos singulares da paisagem que ocupam, tendo elevado interesse biol\u00f3gico, cultural, hist\u00f3rico e\/ou est\u00e9tico. Estas \u00e1rvores s\u00e3o excecionais por serem antigas, fornecerem um habitat importante, serem a maior da sua esp\u00e9cie, estarem relacionadas com um evento hist\u00f3rico importante ou terem algum significado cultural excecional.<\/p>\n<p class=\"indent\">A uma \u00e1rvore anci\u00e3 est\u00e1 sempre associada dimens\u00e3o tempo, ou seja, ser\u00e1 sempre uma \u00e1rvore muito velha enquanto uma \u00e1rvore veterana pode ser uma \u00e1rvore relativamente jovem, mas que devido a condi\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias do seu meio, desenvolveu algumas caracter\u00edsticas que s\u00e3o especialmente promotoras da biodiversidade.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">O culto da \u00e1rvore<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, a 5 de outubro de 1910, trouxe \u00e0 sociedade portuguesa um conjunto de novos valores e s\u00edmbolos. Entre estes destaca-se o culto da \u00e1rvore que se associa a outros valores centrais do republicanismo como a fraternidade, a educa\u00e7\u00e3o e o culto da p\u00e1tria. Ao culto da \u00e1rvore associam-se a realiza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es c\u00edvico-pedag\u00f3gicas designadas de Festas da \u00c1rvore, a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Protectora da \u00c1rvore e a sua merit\u00f3ria a\u00e7\u00e3o em prol da \u00e1rvore e do desenvolvimento florestal do pa\u00eds, a propaganda sistem\u00e1tica a favor da \u00e1rvore atrav\u00e9s de festas, confer\u00eancias, planta\u00e7\u00f5es comemorativas e publica\u00e7\u00e3o de artigos de jornal e livros alusivos, <strong>a classifica\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores not\u00e1veis<\/strong> e ainda uma aposta na reorganiza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Florestal \u2013 <a href=\"http:\/\/www2.icnf.pt\/portal\/florestas\/memoflo\/cult-arvor-1a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"O culto da \u00e1rvore e a 1\u00aa Rep\u00fablica - Jos\u00e9 Neiva Vieira, 2010\">O culto da \u00e1rvore e a 1\u00aa Rep\u00fablica &#8211; Jos\u00e9 Neiva Vieira, 2010<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec3\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_3-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Clich\u00e9s de Joaquim Teixeira Alves, publicados na Ilustra\u00e7\u00e3o Portuguesa, n.\u00ba 370, de 24 de mar\u00e7o de 1913<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">A origem das comemora\u00e7\u00f5es do Dia da Floresta, dos cultos ancestrais da \u00e1rvore e da floresta \u00e0 hist\u00f3ria das comemora\u00e7\u00f5es, da defesa das \u00e1rvores monumentais marcaram o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, em Portugal.<\/p>\n<p class=\"indent\">Em Guimar\u00e3es, em 1913, o programa da festa incluiu um cortejo em que participaram os alunos das escolas, col\u00e9gios e asilos da cidade, professores, C\u00e2mara, autoridades, jornais e as associa\u00e7\u00f5es profissionais, que terminou com uma cerim\u00f3nia de planta\u00e7\u00e3o de quatro \u00e1rvores (uma amoreira, um pl\u00e1tano, uma faia e uma T\u00edlia) no Campo do Salvador (S. Mamede). O dia encerrou-se com uma sess\u00e3o de cinema no teatro D. Afonso Henriques, oferecida por Emiliano Abreu, empres\u00e1rio do Sal\u00e3o \u00c9toile \u2013 <a href=\"http:\/\/araduca.blogspot.com\/2017\/11\/o-culto-republicano-das-arvores.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"O culto republicano das \u00e1rvores - Ant\u00f3nio Amaro das Neves\">O culto republicano das \u00e1rvores &#8211; Ant\u00f3nio Amaro das Neves<\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">As fotografias da \u00e9poca, da festa Nacional da \u00c1rvore de 1915, mostram alunos das Escolas Centrais de Guimar\u00e3es que fazem exerc\u00edcios de gin\u00e1stica antes da planta\u00e7\u00e3o da \u00e1rvore.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">\u00c1rvores e arvoredo de \u201cinteresse p\u00fablico\u201d. Enquadramento legal . Conceito<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Apesar de haver desde 1938, atrav\u00e9s do Decreto-Lei n\u00ba 28468, de 15 de fevereiro, a possibilidade de legalmente classificar \u00e1rvores isoladas, arvoredos, bosques, matas, jardins, etc, no territ\u00f3rio portugu\u00eas, os \u00faltimos anos foram essenciais para o aumento da lista de exemplares classificados. Ora pelo empenho dos servi\u00e7os centrais do Estado, atrav\u00e9s da antiga Direc\u00e7\u00e3o-Geral das Florestas (DGF), papel agora assumido pelo Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF), ora pelo contributo dado pela crescente comunidade cient\u00edfica que se dedica \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e dinamiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea do ambiente, transmitindo conhecimentos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de forma mais alargada e direcionada.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">O conceito de \u201carvoredo de Interesse P\u00fablico\u201d est\u00e1 definido na Lei n\u00ba 53\/2012, de 5 de setembro e de acordo com o \u00e2mbito aplica-se aos <i>povoamentos florestais, bosques ou bosquetes, arboretos, alamedas e jardins de interesse bot\u00e2nico, hist\u00f3rico, paisag\u00edstico ou art\u00edstico, bem como aos exemplares isolados de esp\u00e9cies vegetais que, pela sua representatividade, raridade, porte, idade, historial, significado cultural ou enquadramento paisag\u00edstico, possam ser considerados de relevante interesse p\u00fablico e se recomende a sua cuidadosa conserva\u00e7\u00e3o<\/i>.<\/p>\n<p class=\"indent\">O ICNF classifica \u00e1rvores que merecem a designa\u00e7\u00e3o de \u201cInteresse P\u00fablico\u201d e re\u00fane essas classifica\u00e7\u00f5es no seu <a href=\"http:\/\/www2.icnf.pt\/portal\/florestas\/aip\/classificacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Registo Nacional do Arvoredo de Interesse P\u00fablico (RNAIP)\">Registo Nacional do Arvoredo de Interesse P\u00fablico (RNAIP)<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec4\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_4-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">O agigantado pinheiro da Covilh\u00e3, uma das \u00e1rvores mais not\u00e1veis de Portugal (desaparecida) \u2013 clich\u00e9 de J S Tavares<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Desta forma, as \u00e1rvores e maci\u00e7os arb\u00f3reos classificados como de interesse p\u00fablico constituem um patrim\u00f3nio de elevad\u00edssimo valor ecol\u00f3gico, cultural e hist\u00f3rico, justificando um estatuto similar ao do patrim\u00f3nio constru\u00eddo classificado (Im\u00f3veis de Interesse P\u00fablico). A import\u00e2ncia e necessidade desta prote\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente na legisla\u00e7\u00e3o desde 1938, que referia que <i>\u201co arvoredo, que constitui interessante moldura decorativa dos monumentos arquitet\u00f3nicos e valoriza grandemente as paisagens, \u00e9 por vezes impiedosamente sacrificado, sendo de esperar que a prote\u00e7\u00e3o que lhe for dada pelo Estado frutifique e seja seguida pelos particulares. Por este motivo devem proteger-se todos os arranjos florestais e de jardins de interesse art\u00edstico ou hist\u00f3rico, e bem assim os exemplares isolados de esp\u00e9cies vegetais que pelo seu porte, idade ou raridade se recomenda a cuidadosa conserva\u00e7\u00e3o. Deste modo n\u00e3o s\u00f3 se afirma por eles respeito, como se organizam os meios de defesa desta parte do nosso patrim\u00f3nio representado na paisagem, na arquitectura dos jardins e na majestade das velhas \u00e1rvores.\u201d<\/i><\/p>\n<p class=\"indent\">Este diploma foi sofrendo v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es e atualiza\u00e7\u00f5es, consubstanciadas principalmente pelo Decreto-Lei n\u00ba 135\/2012, de 29 de junho [Aprova a Estrutura Org\u00e2nica do Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas, I. P. (ICNF)] e Lei n\u00ba 53\/2012, de 5 de setembro. Este diploma s\u00f3 viria a ser regulamentado pela Portaria n\u00ba 124\/2014, de 24 de junho, que estabelece os crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o e desclassifica\u00e7\u00e3o de arvoredo de interesse p\u00fablico, bem como as categorias de arvoredo pass\u00edveis de classifica\u00e7\u00e3o. As antigas categorias de classifica\u00e7\u00e3o como alameda, alinhamento, arvoredos, bosquete e maci\u00e7o passam a ser denominadas conjunto arb\u00f3reo.<\/p>\n<p class=\"indent\">De acordo com o ICNF, estas \u00e1rvores apresentam um valor patrimonial elevado, tendo algumas delas liga\u00e7\u00e3o direta com a nossa hist\u00f3ria e cultura. Tratam-se de exemplares que se encontram isolados ou em conjunto, localizados muitas vezes em jardins p\u00fablicos, no meio urbano e em diversos locais emblem\u00e1ticos, tais como igrejas, ermidas e fontes, entre outros, que constituem um patrim\u00f3nio de elevad\u00edssimo valor ecol\u00f3gico, paisag\u00edstico, hist\u00f3rico e religioso de Portugal, sendo de esperar que a prote\u00e7\u00e3o que lhes for dada pelo Estado frutifique e seja seguida pelos particulares.<\/p>\n<p class=\"indent\">Em Portugal a primeira \u00e1rvore a ser classificada, em 22 de maio de 1939, foi um pinheiro-manso (Pinus pinea L.), localizado na Quinta do Pinheiro, Covilh\u00e3. Em 1964, este exemplar, ent\u00e3o com 183 anos, secou tendo sido exclu\u00eddo da lista de \u00e1rvores classificadas (D.G. n\u00ba 198 II S\u00e9rie de 24\/05\/1964).<\/p>\n<div class=\"quote\">\u201cNo norte do paiz dominavam os carvalhos e castanheiros; no sul cresciam os sobreiros, azinheiras e alfarrobeiras, etc., e por toda a parte, mais ao menos, os pinheiros manso e mar\u00edtimo. (\u2026) Todas estas magnificas arvores manteem-se ainda muito robustas e quando o correr do tempo as tornar decrepitas, muitas outras, que hoje j\u00e1 s\u00e3o alterosas, se mostrar\u00e3o igualmente gigantescas (\u2026)\u201d<span class=\"author\">Sousa Pimentel \u2013 \u00c1rvores giganteas de Portugal, 1894.<\/span><\/div>\n<p class=\"indent\">Atualmente, em Portugal existem mais de cinco centenas de processos de classifica\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores como Arvoredo de Interesse P\u00fablico conclu\u00eddos. A maior parte destas classifica\u00e7\u00f5es incidem nas \u00e1rvores isoladas e as restantes s\u00e3o conjuntos arb\u00f3reos: alamedas, alinhamentos, arvoredos, bosquetes e maci\u00e7os e os restantes.<\/p>\n<p class=\"indent\">Legalmente, as interven\u00e7\u00f5es nos exemplares classificados dever\u00e3o ser comunicadas ao ICNF e ser\u00e3o s\u00f3 autorizadas com o seu conhecimento pr\u00e9vio, sendo que todos os trabalhos dever\u00e3o efetuados sob sua orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. S\u00e3o \u00e1rvores que constituem um patrim\u00f3nio de elevad\u00edssimo valor ecol\u00f3gico, paisag\u00edstico, hist\u00f3rico e religioso de Portugal, sendo de esperar que a prote\u00e7\u00e3o que lhes for dada pelo Estado frutifique e seja seguida pelos particulares.<\/p>\n<p class=\"indent\">A classifica\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores pode ser proposta ao ICNF por qualquer pessoa, entidade individual ou coletiva, desde que as \u00e1rvores, ou o conjunto de \u00e1rvores, em causa sejam de algum modo not\u00e1veis, representativos, estarem de boa sa\u00fade, e, no caso de se localizarem em propriedade privada, o seu propriet\u00e1rio ter concordado com a classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec5\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_5-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\"><i>Quercus suber l.<\/i>, exemplar de sobreiro que existiu na mata da Quinta de S. Cipriano<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<h2 class=\"indent\">Arvoredo de \u201cinteresse p\u00fablico\u201d de Guimar\u00e3es<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>O concelho de Guimar\u00e3es possui uma grande riqueza em termos de patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, cultural e paisag\u00edstico. Dentro da vasta \u00e1rea arborizada, o patrim\u00f3nio arb\u00f3reo \u00e9 extenso e nele destacam-se alguns exemplares que marcam presen\u00e7a no territ\u00f3rio de uma forma singular, not\u00e1vel e dignos de um reconhecimento de destaque.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">Em grande medida desconhecida pela popula\u00e7\u00e3o vimaranense, muitos destes exemplares ou conjuntos arb\u00f3reos s\u00e3o multisseculares ou mesmo milenares. Alguns est\u00e3o presentes em espa\u00e7os p\u00fablicos outros inacess\u00edveis, protegidos dos olhares, mas a sua silhueta n\u00e3o escapa a um olhar mais atento pelo lugar que ocupam na paisagem.<\/p>\n<p class=\"indent\">\u00c9 assim necess\u00e1rio defend\u00ea-lo, conserv\u00e1-lo e valoriz\u00e1-lo, atribuindo-lhe um estatuto especial que ao mesmo tempo lhe confere uma prote\u00e7\u00e3o legal, bem como o reconhecimento do seu valor pela popula\u00e7\u00e3o em geral, a uma comunidade que demonstrou uma sensibilidade \u00fanica em mat\u00e9rias de ambiente e conserva\u00e7\u00e3o da natureza com forte ades\u00e3o para iniciativas e projetos nestas \u00e1reas.<\/p>\n<p class=\"indent\">Este magn\u00edfico sobreiro pertenceu \u00e0 Sr\u00aa D. Maria Carolina de Magalh\u00e3es Santiago, que ordenou a coloca\u00e7\u00e3o de uma l\u00e1pide junto \u00e1 \u00e1rvore com a seguinte inscri\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c1rvore velha!\u2026 A aurora vermelha. H\u00e1 quantos centos de anos. Doura teus longos ramos\u2026\u201d<\/p>\n<p class=\"indent\">As primeiras \u00e1rvores a serem classificadas no concelho de Guimar\u00e3es foram um sobreiro (<i>Quercus suber<\/i> L.), na Mata da Quinta de S Cipriano, um carvalho-roble (<i>Quercus robur<\/i> L.) no Regalo, Serzedelo e um conjunto arb\u00f3reo na Cerca da Pousada de Santa Marinha da Costa. Estas classifica\u00e7\u00f5es foram em 1940 e em 1953. Atualmente, apenas o conjunto arb\u00f3reo da Pousada da Costa se mant\u00e9m classificado, sobrevivendo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec6\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_6-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Camellia japonica, jardins do Centro Cultural Vila Flor, 2010<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Ap\u00f3s 58 anos da primeira classifica\u00e7\u00e3o, em 2011, a lista de classifica\u00e7\u00f5es foi aumentada com o reconhecimento de mais exemplares, abrangendo um total de 5 \u00e1rvores isoladas (2 pl\u00e1tanos e 1 castanheiro-da-\u00cdndia nos jardins do Pa\u00e7o dos Duques de Bragan\u00e7a, 1 cedro-do-Himalaia no Cemit\u00e9rio da Atouguia e 1 pinheiro-manso em Silvares) e 2 conjuntos arb\u00f3reos (2 conjuntos de cameleiras no Pal\u00e1cio Vila Flor).<\/p>\n<p class=\"indent\">Em 2018 foram apresentadas novas propostas para classifica\u00e7\u00e3o, por iniciativa do munic\u00edpio de Guimar\u00e3es, contribuindo desta forma para a prote\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia de mais alguns exemplares arb\u00f3reos de interesse e porte magn\u00edficos.<\/p>\n<p class=\"indent\">Em Guimar\u00e3es existem alguns exemplares monumentais, descritos na p\u00e1gina Monumental Trees, que constam nas listas de esp\u00e9cies mais altas da Europa: Oliveira (<i>Olea europaea<\/i>), Museu Alberto Sampaio. \u201cSeu not\u00e1vel equil\u00edbrio de altura e circunfer\u00eancia d\u00e1-lhe uma apar\u00eancia de est\u00e1tua e eleg\u00e2ncia digna dos claustros do Renascimento e da igreja que o rodeia, com os quais pode possivelmente ser contempor\u00e2neo.\u201d, altura 16.40m; Pinheiro-manso (<i>Pinus pinea<\/i>), no cume da Cit\u00e2nia de Briteiros, altura 17.00m; v\u00e1rias \u00e1rvores do Mosteiro de Santa Marinha da Costa com um vasto n\u00famero de Tulipeiros- da-Virg\u00ednia (<i>Liriodendron tulip\u00edfera<\/i>) que chegam aos 41m de altura. \u2013 <a href=\"https:\/\/www.monumentaltrees.com\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"https:\/\/www.monumentaltrees.com\/en\/\">https:\/\/www.monumentaltrees.com\/en\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec7\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_7-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Pinus Pinea, Silvares, 2016<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"img-wrap\">\n          <img decoding=\"async\" class=\"two-width\"\n            src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_14-1.jpg\"\n            alt=\"\"\n          \/>\n        <\/div>\n<div class=\"text-wrap\">\n<div class=\"legend\">\n            <span><i>Liriodendron tulipifera<\/i>, mata da cerca da Pousada da Costa (esquerda) e <i>Olea europaea<\/i>, Museu Alberto Sampaio (direita)<\/span>\n          <\/div>\n<div class=\"credit\"><span>Fotos de john weightman<\/span><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec8\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_8-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\"><i>Quercus suber l.<\/i>, exemplar de sobreiro que existiu na mata da Cit\u00e2nia de Briteiros<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Totalizando um conjunto de 15 \u00e1rvores e 1 arvoredo, os exemplares indicados para serem classificados s\u00e3o esp\u00e9cies extraordin\u00e1rias, que se destacam nos lugares e s\u00edtios onde se encontram e contribuem para assinalar uma presen\u00e7a marcante e singular, marcos hist\u00f3ricos, lendas e tradi\u00e7\u00f5es, as quais se pretende real\u00e7ar a sua import\u00e2ncia. O conjunto \u00e9 bastante heterog\u00e9neo em variedade de esp\u00e9cies: 1 Oliveira,1 Carvalho-roble, 4 Pinheiros-manso, 3 Sobreiros, 2 Eucaliptos, 2 Cedros-do-Himalaia, 1 Arauc\u00e1ria-do-Brasil, 1 Abeto-de-Douglas, 1 Cam\u00e9lia e um arvoredo numa Quinta.<\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"img-wrap\">\n          <img decoding=\"async\" class=\"two-width\"\n            src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_15.jpg\"\n            alt=\"\"\n          \/>\n        <\/div>\n<div class=\"text-wrap\">\n<div class=\"legend\">\n            <span>Alguns exemplares propostos para classifica\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico em 2018<\/span>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec9\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_9-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Jardins da Casa da Penha<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">De iniciativa particular, o arvoredo existente na Casa da Penha foi classificado em 2019 e alguns exemplares isolados na Quinta de Margaride, ambos na freguesia da Costa, encontram-se em vias de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"indent\">Quanto ao arvoredo da Casa da Penha, trata-se de um conjunto de \u00e1rvores seculares, constitu\u00eddo por uma diversidade de esp\u00e9cies \u00edmpar cujas origens remontam ao s\u00e9c XX. \u00c9 um jardim de tra\u00e7o rom\u00e2ntico, com v\u00e1rios elementos da \u00e9poca tais como grutas, mirantes, cascatas, e um conjunto de esp\u00e9cies t\u00e3o rico e bem conservado que se destacam na paisagem.<\/p>\n<p class=\"indent\">De acordo com a classifica\u00e7\u00e3o atribu\u00edda pelo ICNF, a composi\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica do Parque da Penha apresenta uma variada e invulgar cole\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, algumas das quais raras ou mesmo \u00fanicas no territ\u00f3rio do continente, sendo um conjunto arb\u00f3reo \u00edmpar no contexto nacional, excecionando os conjuntos que se encontram na Serra de Sintra e do Bussaco, cumprindo -se os par\u00e2metros de aprecia\u00e7\u00e3o abund\u00e2ncia no territ\u00f3rio do continente e singularidade.<\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"img-wrap\">\n          <img decoding=\"async\"\n            src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_16.jpg\"\n            alt=\"\"\n          \/>\n        <\/div>\n<div class=\"text-wrap\">\n<div class=\"legend\">\n            <span>Jardins da Casa da Penha<\/span>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec10\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_10-2.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Jardins da Quinta de Margaride<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">A Quinta de Margaride, possui nos seus jardins exemplares de <i>Camellia japonica<\/i>, alguns com porte impressionante, esbeltos e com caracter\u00edsticas invulgares tanto ao n\u00edvel do tronco como de porte. Destacam-se tamb\u00e9m um diospireiro (<i>Diospyrus kaki<\/i>) bem como uma pereira, cujo propriet\u00e1rio refere que o fruto gerado \u00e9 referido, atrav\u00e9s de testemunhos familiares seculares, como pera-p\u00e3o, talvez uma esp\u00e9cie do g\u00e9nero <i>Pyrus<\/i>, que n\u00e3o ser\u00e3o as mais conhecidas. O porte destas duas \u00e1rvores \u00e9 colossal, o seu estado de conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 exemplar, tal como todas as esp\u00e9cies presentes no jardim.<\/p>\n<p class=\"indent\">Jardim formal organizado em canteiros debruados por buxo, rodeando, o primeiro um tanque de pedra, hexagonal, envolvido por um c\u00edrculo de buxo e tendo ao centro um chafariz constitu\u00eddo por uma coluna sobre base prism\u00e1tica, rematada por uma flor, e o segundo uma \u201ccasa de fresco\u201d, circular, tendo no interior uma mesa de pedra e bancos. \u2013 <a href=\"http:\/\/www.monumentos.gov.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"http:\/\/www.monumentos.gov.pt\/\">http:\/\/www.monumentos.gov.pt\/<\/a><\/p>\n<p class=\"indent\">As primeiras refer\u00eancias documentais existentes s\u00e3o at\u00e9 anteriores \u00e0 pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o de Portugal (em 1097 era propriedade do Mosteiro de Santa Maria de Guimar\u00e3es) e a descri\u00e7\u00e3o mais antiga da \u00abCasa de Margaride\u00bb \u00e9 de 1507.<\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"img-wrap\">\n          <img decoding=\"async\" class=\"full-width\"\n            src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_17.jpg\"\n            alt=\"\"\n          \/>\n        <\/div>\n<div class=\"text-wrap\">\n<div class=\"legend\">\n            <span>Jardins da Quinta de Margaride<\/span>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec11\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_11-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\">Alexandra Gesta \u2013 1985<\/span>\n  <span class=\"legend\">O regresso da Oliveira, 1985<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<h2 class=\"indent\">Classifica\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o do arvoredo de interesse municipal de Guimar\u00e3es<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>H\u00e1 \u00e1rvores que passam frequentemente desapercebidas para a maioria das pessoas e no entanto s\u00e3o de grande interesse ecol\u00f3gico, social ou hist\u00f3rico. Da\u00ed a import\u00e2ncia dos <a href=\"https:\/\/adrat.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"https:\/\/adrat.pt\/\">invent\u00e1rios<\/a> destes exemplares, com vista n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 sua divulga\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o, mas para p\u00f4r em pr\u00e1tica medidas de gest\u00e3o e ordenamento do territ\u00f3rio. Quer pela ocupa\u00e7\u00e3o florestal e agr\u00edcola da regi\u00e3o, quer pelo elevado legado patrimonial \u00e9 poss\u00edvel afirmar que existem muitas mais \u00e1rvores e arvoredos com potencial de classifica\u00e7\u00e3o de interesse municipal e at\u00e9 p\u00fablico.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">A classifica\u00e7\u00e3o de arvoredo de Interesse Municipal ser\u00e1 uma ferramenta essencial para a salvaguarda, o conhecimento e a conserva\u00e7\u00e3o de elementos arb\u00f3reos do patrim\u00f3nio municipal de excecional valor e, simultaneamente, pode constituir uma importante fonte de valoriza\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio natural concelhio, bem como servir de est\u00edmulo para um maior envolvimento da sociedade em geral na sua prote\u00e7\u00e3o e reconhecimento.<\/p>\n<div class=\"quote\">\u201cUm poema ou uma \u00e1rvore podem ainda salvar o mundo.\u201d<span class=\"author\">Eug\u00e9nio de Andrade<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec12\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_12-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Sobreiro de grande porte, Moreira de C\u00f3negos<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p class=\"indent\">Guimar\u00e3es tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o em acontecimentos relevantes na hist\u00f3ria e muitas foram as mudan\u00e7as que ocorreram, umas mais profundas e outras que causaram menos impactos no quotidiano e na mem\u00f3ria dos seus habitantes. Tamb\u00e9m o patrim\u00f3nio arb\u00f3reo surge associado a estas mudan\u00e7as, marcando de certa forma a paisagem local, perpetuando tradi\u00e7\u00f5es ou acontecimentos associados a hist\u00f3rias do passado. A sua adequada manuten\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o torna-se essencial de forma a ser poss\u00edvel a sua justa promo\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"indent\">Alguns exemplares e conjuntos arb\u00f3reos que n\u00e3o podem ser inclu\u00eddos na lista do \u201cArvoredo de Interesse P\u00fablico\u201d, por n\u00e3o se enquadrarem nos crit\u00e9rios definidos pelo Regulamento para a classifica\u00e7\u00e3o de Arvoredo de interesse p\u00fablico (ICNF), mas ser\u00e3o inclu\u00eddos num invent\u00e1rio municipal mais completo, abrangente, \u00e1 escala municipal no territ\u00f3rio concelhio.<\/p>\n<p class=\"indent\">At\u00e9 hoje foram sinalizados mais de 150 exemplares de diversas esp\u00e9cies diferentes, mediante visitas de campo, refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas, provenientes de v\u00e1rios contributos escritos e orais, sendo que as esp\u00e9cies de carvalho-roble, sobreiro e pinheiro-manso se destacam. Mas a diversidade reflete-se na extensa lista de esp\u00e9cies que formam este conjunto agora identificado: arauc\u00e1rias, cedros-do-atlas, cam\u00e9lias, magn\u00f3lias, eucaliptos, pl\u00e1tanos, diospireiros,\u2026<\/p>\n<p class=\"indent\">\u00c9 um trabalho de cont\u00ednua descoberta, reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o de um arvoredo rico e vasto que constitui um patrim\u00f3nio arb\u00f3reo de grande valor.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec13\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_13-1.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\"><\/span>\n  <span class=\"legend\">Sobreiro, Mes\u00e3o Frio<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"img-wrap\">\n          <img decoding=\"async\" class=\"two-width\"\n            src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_18.jpg\"\n            alt=\"\"\n          \/>\n        <\/div>\n<div class=\"text-wrap\">\n<div class=\"legend\">\n            <span>Alguns exemplares propostos para futuras classifica\u00e7\u00f5es de arvoredo de interesse p\u00fablico e municipal<\/span>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"notes\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-6\">\n<div class=\"hiper-wrapper no-padd\">\n<div class=\"cont\">\n                        <span class=\"hip\">NOTAS DE FIM<\/span><span class=\"item\">1&emsp;Diogo Louren\u00e7o, \u00c1rvores de Interesse P\u00fablico da Cidade do Porto. Do invent\u00e1rio ao itiner\u00e1rio. FCUP. 2015<br \/>2&emsp;A Woodland Trust \u00e9 a maior institui\u00e7\u00e3o para a conserva\u00e7\u00e3o da floresta no Reino Unido, trabalhando essencialmente para a prote\u00e7\u00e3o \u00e1reas florestadas e exemplares isolados sob amea\u00e7a.<\/span>\n                    <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"biblio\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-6\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"col-lg-6\">\n<div class=\"cont\">\n                    <svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"146.636\" height=\"161.26\" viewBox=\"0 0 146.636 161.26\">\n                        <path id=\"Uni\u00e3o_3\" data-name=\"Uni\u00e3o 3\" d=\"M6241.905,21778.926l.082-1.066,6.373.477.388-5.2-5.8-.437.082-1.051,5.8.438.421-5.646,1.2.088-.973,12.971Zm17.841-12.266,1.246-.273,2.432,3.811,5.324-1.187.59-4.48,1.175-.264-1.869,13.736-1.394.313Zm4.241,4.422,2.864,4.5c.448.705.842,1.438.842,1.438l.033-.01c.011-.088.077-.887.181-1.678l.71-5.275Zm-35.955,4.23,4.607-12.166,1.132.432-4.613,12.16Zm55.654-7.734a3.526,3.526,0,0,1,.465-4.586l-.017-.033-5.548-3.256,1.181-.744,5.34,3.186,3.022-1.9-2.952-4.7,1.022-.639,6.925,11-3.941,2.482a5.382,5.382,0,0,1-2.465.869c-.063,0-.125.006-.188.006A3.267,3.267,0,0,1,6283.687,21767.578Zm2.088-4.662c-1.411.885-2.116,2.291-1.044,3.99.913,1.453,2.383,1.59,3.914.629l2.918-1.836-2.9-4.6Zm-76,5.406,3.395-13.436,1.049.717-1.126,4.383,4.5,3.082,3.679-2.633.995.682-11.314,8.014Zm1.727-2.154c-.2.8-.476,1.592-.476,1.592l.027.016c.077-.049.706-.547,1.356-1.006l4.334-3.088-3.914-2.684Zm87.838-14.135.776-.967a3.432,3.432,0,0,0,4.362-1.191c1.837-2.3,1.022-5.035-1.711-7.221-2.766-2.209-5.466-2.236-7.248-.006a3.755,3.755,0,0,0,.536,5.652l.546.438,2.482-3.111.836.668-3.214,4.027-5.023-4.012.678-.854,1.612,1.285.027-.037a4.36,4.36,0,0,1,.814-4.75c1.94-2.428,5.072-3.215,8.789-.246,3.4,2.721,3.695,6.191,1.634,8.771a5.027,5.027,0,0,1-3.856,2.121A4.032,4.032,0,0,1,6299.341,21752.033Zm10.227-20.18c-4.5-1.34-5.663-4.51-4.783-7.455s3.58-4.932,8.073-3.592c4.531,1.355,5.69,4.537,4.827,7.439a5.379,5.379,0,0,1-5.425,4.033A9.44,9.44,0,0,1,6309.568,21731.854Zm-3.854-7.178c-.749,2.488.6,4.893,4.209,5.975,3.651,1.088,6.083-.174,6.833-2.684.738-2.477-.558-4.848-4.253-5.953a8.7,8.7,0,0,0-2.469-.393A4.165,4.165,0,0,0,6305.714,21724.676Zm-1.224-18.043,13-.137.011,1.209-13,.137Zm-4.373-16.479,12.337-4.105.382,1.143-11.325,3.771,2.121,6.373-1.017.338Zm-7.652-11.8-2.711-3.727,10.527-7.643,2.974,4.1c1.241,1.705,1.448,3.7-.257,4.936a2.774,2.774,0,0,1-3.81-.234l-.027.016a3.176,3.176,0,0,1-.907,4.133,3.685,3.685,0,0,1-2.171.789C6294.706,21680.727,6293.482,21679.762,6292.465,21678.357Zm-1.186-3.34,1.968,2.713c1.317,1.814,2.722,2.307,4.264,1.186,1.5-1.088,1.366-2.629.24-4.187l-2.1-2.887Zm5.2-3.775,2.159,2.973c.847,1.17,2.028,1.951,3.5.881,1.235-.9,1.191-2.209.29-3.443l-2.247-3.094Zm-16.726-4,7.854-10.363.962.727-7.854,10.369Zm-12.829-5.68-4.307-1.633,4.607-12.162,4.739,1.8c1.968.748,3.236,2.295,2.487,4.268a2.771,2.771,0,0,1-3.312,1.893l-.016.031a3.155,3.155,0,0,1,1.5,3.947,3.277,3.277,0,0,1-3.259,2.371A7.012,7.012,0,0,1,6266.923,21661.561Zm-2.826-2.143,3.132,1.188c2.1.8,3.547.432,4.22-1.346.656-1.732-.3-2.951-2.094-3.629l-3.34-1.268Zm2.279-6.006,3.433,1.3c1.35.508,2.766.52,3.411-1.182.542-1.432-.213-2.5-1.645-3.043l-3.58-1.357Z\" transform=\"matrix(-0.946, -0.326, 0.326, -0.946, -1073.329, 22650.533)\" fill=\"#44af62\" stroke=\"rgba(0,0,0,0)\" stroke-miterlimit=\"10\" stroke-width=\"1\"\/>\n                    <\/svg><span class=\"item\">Diogo Louren\u00e7o, \u00c1rvores de Interesse P\u00fablico da Cidade do Porto. Do invent\u00e1rio ao itiner\u00e1rio. FCUP. 2015<\/span><span class=\"item\">Maria Adelaide Pereira de Moraes, Guimar\u00e3es, Terras de Santa Maria, Guimar\u00e3es, 1978, pp. 120-121<\/span><span class=\"item\">Marla Gomes, Projeto de Recupera\u00e7\u00e3o de Jardins Hist\u00f3ricos &#8211; Casa da Penha. FCUP. 2007<\/span>\n                <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de Guimar\u00e3es tem j\u00e1 uma vasta experi\u00eancia na valoriza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio arb\u00f3reo, investindo anualmente na implementa\u00e7\u00e3o de novos parques e jardins, com o objetivo de aumentar a sua rede j\u00e1 extensa de espa\u00e7os verdes, onde se podem encontrar uma grande variedade de esp\u00e9cies.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=214"}],"version-history":[{"count":36,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":438,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214\/revisions\/438"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}