{"id":216,"date":"2021-11-20T17:29:28","date_gmt":"2021-11-20T17:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/veduta\/?p=216"},"modified":"2021-12-21T10:59:06","modified_gmt":"2021-12-21T10:59:06","slug":"arvores-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/arvores-memoria\/","title":{"rendered":"\u00c1rvores-mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_1-3.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\">Foto de Adelino Furtado<\/span>\n  <span class=\"legend\">Sobreiro velho da Cit\u00e2nia de Briteiros em setembro de 1935. Arquivo de Documenta\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica \/ DGPC<\/span>\n  <\/div>\n<h2 class=\"indent\">Da possibilidade de ser \u00e1rvore<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que uma \u00e1rvore, frondoso arquivo vegetal, que nos acolhe sob a sua sombra, possa tomar um valor essencial na nossa vida? Objeto de uma afei\u00e7\u00e3o sem motivo aparente, testemunha silenciosa dos dias que passam, sintonizando-nos com o ritmo oscilante das esta\u00e7\u00f5es, vemo-la coroar-se de flores ainda antes do inverno terminar, revestir-se de folhagem nova na primavera, carregar-se de frutos no estio, desfolhar-se, por fim, a caminho do inverno. Que dizer de uma \u00e1rvore concreta como esta, cujo nome pr\u00f3prio um dia descobrimos, situada num local por onde passamos ami\u00fade? Uma \u00e1rvore enla\u00e7ada na vida de pessoas igualmente concretas, com rosto e com hist\u00f3ria. Uma \u00e1rvore que nos liga a um territ\u00f3rio quotidiano, vernacular, como uma presen\u00e7a vis\u00edvel, ainda que discreta. Uma \u00e1rvore que se torna indispens\u00e1vel, ainda que n\u00e3o nos perten\u00e7a. Ser\u00e1 isto poss\u00edvel?<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">Podemos imaginar, auspiciosamente, uma resposta que n\u00e3o pode ser sen\u00e3o afirmativa. E podemos imaginar ainda, a partir das interroga\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas, um territ\u00f3rio feito desta possibilidade, pontuado por \u00e1rvores significativas, que perduram na nossa mem\u00f3ria mesmo depois de desaparecidas. \u00c1rvores essenciais, portanto. \u00c1rvores que nos ligam e \u00e0s quais permanecemos ligados, cuja presen\u00e7a e cuja mem\u00f3ria se configuram no horizonte da vida quotidiana.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">Da mem\u00f3ria sobre as \u00e1rvores<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Ora, como indagar os v\u00ednculos que estabelecemos com as \u00e1rvores, procurando quem seja capaz de nos informar, sem incitar os dem\u00f3nios da suspei\u00e7\u00e3o? Como podemos aproximar-nos das mem\u00f3rias sobre as \u00e1rvores, mem\u00f3rias fugidias por natureza, que v\u00eam e v\u00e3o, sempre abertas a um detalhe omisso que de repente \u00e9 lembrado? Como conversar demoradamente sobre \u00e1rvores num tempo em que n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder? Ou num tempo confinado, por imposi\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, em que, ao inv\u00e9s, todo o tempo parece deitar-se a perder? Por onde come\u00e7ar este labor, deixando que sejam as \u00e1rvores a conduzir-nos, refazendo-se incessantemente a partir da mem\u00f3ria?<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">Ir ao encontro de mem\u00f3rias sobre as \u00e1rvores exige um sentido de oportunidade que n\u00e3o nos compete determinar. Temos sobretudo que nos tornar presentes, dar-nos a conhecer sem rodeios aos nossos interlocutores, encontrando nas \u00e1rvores um denominador comum. Temos que dispor do tempo suficiente para que a mem\u00f3ria possa emergir por si mesma, sem cairmos na tenta\u00e7\u00e3o recorrente de a for\u00e7ar. Temos que envolver os informantes, mantendo um contacto regular, entusiasmando-os, aguardando a todo o momento que a mem\u00f3ria se revele. Temos de p\u00f4r-nos \u00e0 escuta, portanto.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">Do projeto \u00e1rvores-mem\u00f3ria<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Em agosto de 2017, ap\u00f3s os contactos estabelecidos por Catarina Pereira e Eduardo Brito, d\u2019A Oficina \u2013 Centro de Artes e Mesteres Tradicionais de Guimar\u00e3es \/ Casa da Mem\u00f3ria de Guimar\u00e3es (CDMG), come\u00e7ou a desenhar-se o projeto \u00c1rvores-Mem\u00f3ria, cujo des\u00edgnio seria abrir uma linha de investiga\u00e7\u00e3o sobre patrim\u00f3nio arb\u00f3reo e mem\u00f3ria. O ponto de partida deste projeto tomaria a forma de uma quest\u00e3o: <i>como pode a mem\u00f3ria sobre as \u00e1rvores contribuir para a valoriza\u00e7\u00e3o e salvaguarda do patrim\u00f3nio dendrol\u00f3gico de Guimar\u00e3es, de forma articulada com outras dimens\u00f5es do patrim\u00f3nio cultural?<\/i> Uma quest\u00e3o ambiciosa, abrangente, motor de um projeto cujo escopo \u00e9 constituir uma rede de \u00e1rvores-mem\u00f3ria, e cujos resultados tang\u00edveis sejam integrados no <a href=\"https:\/\/arquivo.casadamemoria.pt\/repositorio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Reposit\u00f3rio da CDMG\">Reposit\u00f3rio da CDMG<\/a>. Procuramos, assim, \u00e1rvores significativas por via das rela\u00e7\u00f5es com elas estabelecidas, \u00e1rvores cujo carisma n\u00e3o reside for\u00e7osamente na sua monumentalidade ou aparato, nem noutros crit\u00e9rios previstos na Lei n.\u00ba 53\/2012, de 5 de setembro, que estabelece o regime jur\u00eddico da classifica\u00e7\u00e3o de arvoredo de interesse p\u00fablico. Procuramos \u00e1rvores que, avaliadas a partir dos \u201ccampos de significa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria social na paisagem\u201d (Crichyno 2013: 62) nos permitem aferir o modo como s\u00e3o vivenciadas e partilhadas rela\u00e7\u00f5es existenciais, abrindo este projeto a uma dimens\u00e3o que transcende um mero registo dendrol\u00f3gico.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"indent\">O projeto \u00c1rvores-Mem\u00f3ria, come\u00e7ou por ter uma dura\u00e7\u00e3o prevista de um s\u00f3 ano, a tempo inteiro, acabaria por ser distribu\u00eddo por tr\u00eas anos consecutivos \u2013 2018, 2019 e 2020 \u2013 com uma aloca\u00e7\u00e3o equivalente a cerca de dois meses de trabalho efetivo em cada ano, de modo a ajustar-se ao or\u00e7amento dispon\u00edvel. A proposta inicial, sujeita a reformula\u00e7\u00e3o, seria finalmente aceite em julho de 2018, tendo-se iniciado ent\u00e3o a primeira fase do projeto. Por\u00e9m, ao longo de 2019 ocorreram altera\u00e7\u00f5es na estrutura organizativa d\u2019A Oficina que conduziriam a uma reformula\u00e7\u00e3o substancial do projeto, dado ter-nos sido solicitada a conclus\u00e3o dos trabalhos nesse mesmo ano; o trabalho de pesquisa culminaria com uma visita ao territ\u00f3rio, em setembro de 2019, realizada no \u00e2mbito da iniciativa &#8220;<a href=\"https:\/\/www.casadamemoria.pt\/detail-eventos\/190921-or-caminhos-em-volta-as-arvores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Caminhos em Volta\">Caminhos em Volta<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p class=\"indent\">Face a esta circunst\u00e2ncia, procuramos dilatar o prazo de entrega dos elementos finais, evitando truncar a pesquisa em curso. Por\u00e9m, em 2020, o confinamento decorrente do surto pand\u00e9mico de COVID-19 condicionou o desenvolvimento almejado para o projeto. J\u00e1 em 2021 surgiria, contudo, uma oportunidade para retomar o projeto, atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos trabalhos desenvolvidos, compreendendo a publica\u00e7\u00e3o de dois artigos e uma comunica\u00e7\u00e3o a apresentar num col\u00f3quio sobre patrim\u00f3nio arb\u00f3reo, organizado pel\u2019A Oficina. O primeiro artigo foi publicado na <i>Revista Oficina<\/i> n.\u00ba 1\/2021 (Fernandes 2021), tendo-se seguido uma conversa <i>online<\/i>, gravada em fevereiro de 2021, integrada no ciclo de conversas <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/515864029\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Outros Futuros\">\u201cOutros Futuros\u201d<\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">No presente artigo, apresentamos uma s\u00edntese da investiga\u00e7\u00e3o desenvolvida, perspetivando a eventual continuidade desta linha de trabalho.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">Doutras iniciativas e doutras \u00e1rvores<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">Iniciamos o projeto \u00c1rvores-Mem\u00f3ria por olhar \u00e0 nossa volta, procurando sinais de outras iniciativas, j\u00e1 desenvolvidas, que integrassem mem\u00f3rias e viv\u00eancias associadas a \u00e1rvores. Encontramos exemplos de percursos de visita\u00e7\u00e3o, projetos expositivos e projetos editoriais, entre outros, que abordamos em seguida. Reconhecemos, assim, no contexto nacional, alguns dos caminhos j\u00e1 abertos que nos aproximam das \u00e1rvores.<\/div>\n<h3 class=\"indent\">Percursos de visita\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<h4 class=\"indent\">Centro de Interpreta\u00e7\u00e3o do Carvalho de Calvos<\/h4>\n<p class=\"indent\">A exist\u00eancia de um carvalho-alvarinho monumental na extinta freguesia de S\u00e3o Gens de Calvos, na P\u00f3voa de Lanhoso, classificado de interesse p\u00fablico em 1997, considerado um dos carvalhos mais antigos da Europa, motivou a cria\u00e7\u00e3o de um centro de interpreta\u00e7\u00e3o ligado a esta \u00e1rvore, por iniciativa municipal. Inaugurado em 2000, nele se realizam visitas guiadas e outras atividades de educa\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o ambiental, sendo o parque envolvente ao carvalho frequentado como espa\u00e7o de lazer e recreio. Tamb\u00e9m conhecido por \u201ccarvalha da Fund\u00f4a\u201d, a esta \u00e1rvore se ligam mem\u00f3rias e viv\u00eancias locais, tendo passado a ser, em 2010, a ins\u00edgnia oficial do bras\u00e3o, bandeira e selo da freguesia (atualmente integrada na Uni\u00e3o das Freguesias de Calvos e Frades) (Silva 2018: 594-596).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Roteiro Bot\u00e2nico da Pousada de Santa Marinha da Costa<\/h4>\n<p class=\"indent\">O parque e os jardins deste antigo mosteiro jer\u00f3nimo, situado na encosta da Penha, sobranceiro \u00e0 cidade de Guimar\u00e3es, s\u00e3o um espa\u00e7o com elevado valor patrimonial e paisag\u00edstico, classificado de interesse p\u00fablico em 1940. O edif\u00edcio mon\u00e1stico e os espa\u00e7os envolventes foram reabilitados de forma criteriosa e adaptados a uma pousada, inaugurada em 1985, atualmente designada Pousada do Mosteiro de Guimar\u00e3es. O roteiro bot\u00e2nico, em cuja conce\u00e7\u00e3o colaboramos, foi implementado em 2013 e pode ser percorrido com o aux\u00edlio de um desdobr\u00e1vel que localiza e descreve as principais esp\u00e9cies arbustivas e arb\u00f3reas, estando assinaladas algumas \u00e1rvores com especial interesse dendrol\u00f3gico (Fernandes 2014). A este espa\u00e7o, e \u00e0s suas \u00e1rvores, se vinculam as mem\u00f3rias e viv\u00eancias de antigos alunos do Semin\u00e1rio do Verbo Divino, que aqui funcionou entre 1952 e 1962. Nele se encontrava uma \u00e1rvore not\u00e1vel, a Carvalha de D. Mafalda, uma das \u00e1rvores-mem\u00f3ria que adiante mencionamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Bosque Erasmus da Universidade do Minho<\/h4>\n<p class=\"indent\">Esta iniciativa, inaugurada em 2017, consistiu na planta\u00e7\u00e3o e sinaliza\u00e7\u00e3o de um conjunto de 30 \u00e1rvores no Campus de Gualtar (Braga) e no de Azur\u00e9m (Guimar\u00e3es), da Universidade do Minho, para assinalar os 30 anos do programa de interc\u00e2mbio acad\u00e9mico Erasmus. Junto de cada \u00e1rvore encontra-se um poste informativo tubular, com a identifica\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica e um c\u00f3digo QR, dando acesso a uma ficha descritiva de cada esp\u00e9cie. As \u00e1rvores plantadas s\u00e3o oriundas dos v\u00e1rios pa\u00edses europeus que integram o programa Erasmus, representando a sua diversidade cultural. Juntamente com as \u00e1rvores foi enterrada, em ambos os locais, uma \u201cc\u00e1psula do tempo\u201d, contendo o convite para a inaugura\u00e7\u00e3o, um mapa do campus, a primeira p\u00e1gina dos jornais do dia, o hino da Universidade e mensagens dos alunos Erasmus sobre a sua experi\u00eancia na Universidade do Minho.<\/p>\n<h3 class=\"indent\">Projetos expositivos<\/h3>\n<h4 class=\"indent\"><a href=\"http:\/\/www.ccvfloresta.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Centro Ci\u00eancia Viva da Floresta\">Centro Ci\u00eancia Viva da Floresta<\/a><\/h4>\n<p class=\"indent\">O Centro Ci\u00eancia Viva da Floresta, inaugurado em 2007, em Proen\u00e7a-a-Nova, \u00e9 um espa\u00e7o interativo, l\u00fadico-pedag\u00f3gico, cujo eixo program\u00e1tico central \u00e9 a floresta como fonte de conhecimento. O percurso expositivo pretende sensibilizar os visitantes para a riqueza, diversidade e fragilidade dos ecossistemas florestais, evidenciando as \u00e1rvores como unidades b\u00e1sicas da floresta. Nele se inclui um m\u00f3dulo sobre dendrocronologia, que permite viajar ao longo dos an\u00e9is de crescimento de uma \u00e1rvore, relacionando a sua data\u00e7\u00e3o com acontecimentos da hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<h3 class=\"indent\">Projetos editoriais<\/h3>\n<h4 class=\"indent\">A \u00e1rvore em Portugal<\/h4>\n<p class=\"indent\">Francisco Caldeira Cabral e Gon\u00e7alo Ribeiro Teles<\/p>\n<p class=\"indent\">Lisboa: Ass\u00edrio &#038; Alvim, 2.\u00aa ed. rev., 1999, ISBN 972-37-0538-9<\/p>\n<p class=\"indent\">Obra de refer\u00eancia, cuja primeira edi\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1960, nela se aborda a \u00e1rvore de uma forma integradora, em termos paisag\u00edsticos, culturais e ecol\u00f3gicos. Motivada pela necessidade de alterar pr\u00e1ticas de tratamento da \u00e1rvore no espa\u00e7o urbano, como as podas dr\u00e1sticas, o seu \u00e2mbito alarga-se \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da \u00e1rvore e da floresta na paisagem portuguesa. Mais do que um manual t\u00e9cnico, esta obra continua a ser um instrumento de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e cultural, que pretende contribuir para a dignificar a presen\u00e7a da \u00e1rvore na paisagem urbana e rural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">\u00c0 sombra de \u00e1rvores com hist\u00f3ria<\/h4>\n<p class=\"indent\">Paulo Ventura Ara\u00fajo, Maria Pires de Carvalho e Manuela Delgado Le\u00e3o Ramos<\/p>\n<p class=\"indent\">Porto: Campo Aberto, 2004, ISBN 972-9071-77-2<\/p>\n<p class=\"indent\">Obra dedicada \u00e0s \u00e1rvores not\u00e1veis do Porto e aos espa\u00e7os urbanos onde se encontram, evocando a rede de protagonistas hist\u00f3ricos \u2013 jardineiros, horticultores e paisagistas \u2013 que contribu\u00edram para a arboriza\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>Cada cap\u00edtulo \u00e9 dedicado a uma \u00e1rvore, ou fam\u00edlia de \u00e1rvores, relacionadas com determinado espa\u00e7o, estabelecendo uma ponte com a hist\u00f3ria da cidade. Os autores produziram uma narrativa integradora, atrav\u00e9s de refer\u00eancias liter\u00e1rias, hist\u00f3ricas e bot\u00e2nicas, reconstruindo a mem\u00f3ria dendrol\u00f3gica da cidade do Porto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Hist\u00f3rias sa\u00eddas das \u00e1rvores. Um arboretum portugu\u00eas<\/h4>\n<p class=\"indent\">Susana Neves<\/p>\n<p class=\"indent\">Lisboa: By the Book, 2012, ISBN 978-989-8614-03-2<\/p>\n<p class=\"indent\">Obra que prop\u00f5e um percurso pela hist\u00f3ria cultural de tr\u00eas dezenas de \u00e1rvores presentes na paisagem portuguesa, que a autora descreve como \u201chist\u00f3rias de \u00e1rvores em fuga\u201d. Nela se mencionam aspetos simb\u00f3licos e mitol\u00f3gicos associados \u00e0s \u00e1rvores, permeados por apontamentos liter\u00e1rios e art\u00edsticos, e aspetos da sua apropria\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica e difus\u00e3o por m\u00e3o humana. Resultado de um conhecimento <i>in loco<\/i>, em diversos pontos do pa\u00eds, esta obra procura restituir a sensa\u00e7\u00e3o singular conferida pela presen\u00e7a das \u00e1rvores, a que se ligam algumas das nossas viv\u00eancias mais essenciais.<\/p>\n<h3 class=\"indent\">Outros projetos<\/h3>\n<h4 class=\"indent\"><a href=\"https:\/\/portugal.treeoftheyear.eu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Concurso da \u00c1rvore Europeia do Ano\">Concurso da \u00c1rvore Europeia do Ano<\/a><\/h4>\n<p class=\"indent\">Realizado pela primeira vez em 2011, inspirado no concurso \u201c\u00c1rvore do Ano\u201d organizado pela associa\u00e7\u00e3o checa Nadace Partnerstv\u00ed, este concurso europeu procura divulgar \u00e1rvores not\u00e1veis, associadas a hist\u00f3rias e viv\u00eancias. Nele participam as \u00e1rvores vencedoras dos v\u00e1rios concursos nacionais, envolvendo atualmente 14 pa\u00edses. O prop\u00f3sito do concurso \u00e9 destacar a import\u00e2ncia das \u00e1rvores antigas no patrim\u00f3nio cultural e natural, n\u00e3o se focando apenas na beleza, tamanho ou idade das \u00e1rvores, mas sobretudo na sua hist\u00f3ria e nas rela\u00e7\u00f5es com as pessoas. Em Portugal, o concurso nacional \u00e9 organizado desde 2017 pela UNAC \u2013 Uni\u00e3o da Floresta Mediterr\u00e2nica, sendo primeiro vencedor o \u201csobreiro assobiador\u201d de \u00c1guas de Moura, em Palmela, eleito como \u00e1rvore europeia do ano em 2018.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">Da metodologia do projeto \u00e1rvores-mem\u00f3ria<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">\n<p>Enquadrado por estas iniciativas, o projeto \u00c1rvores-Mem\u00f3ria desenvolveu-se a partir de uma prospe\u00e7\u00e3o de fontes de informa\u00e7\u00e3o pertinentes, privilegiando os testemunhos de informantes que pudessem partilhar mem\u00f3rias e viv\u00eancias sobre \u00e1rvores de Guimar\u00e3es. De forma complementar, foram exploradas outras fontes de informa\u00e7\u00e3o, nomeadamente fontes manuscritas, fontes impressas, fontes iconogr\u00e1ficas e audiovisuais, e fontes eletr\u00f3nicas online, tal como se menciona em seguida.<\/p>\n<\/div>\n<h3 class=\"indent\">Fontes orais<\/h3>\n<p class=\"indent\">O contacto com informantes estabeleceu-se a partir de conhecimentos pessoais e de contactos sugeridos pela CDMG, formando de uma rede de proximidade que se foi alargando progressivamente. Foram contactados cerca de 40 informantes, com perfil diversificado, em termos et\u00e1rios, de g\u00e9nero, ocupa\u00e7\u00e3o profissional e freguesia de resid\u00eancia. Com exce\u00e7\u00e3o de dois contactos feitos por via telef\u00f3nica, as entrevistas com os informantes foram realizadas presencialmente, em modalidade informal e de entrevista aberta, permitindo identificar t\u00f3picos sobre os quais os informantes possuem mem\u00f3rias ou viv\u00eancias relevantes. Alguns dos testemunhos recolhidos foram convertidos em pequenos textos narrativos, validados pelos respetivos informantes. Um dos informantes, A. P., tomou mesmo a iniciativa de redigir uma pequena mem\u00f3ria sobre as \u00e1rvores que considera mais significativas em Guimar\u00e3es.<\/p>\n<h3 class=\"indent\">Fontes manuscritas<\/h3>\n<p class=\"indent\">A consulta de fontes manuscritas foi realizada em arquivos p\u00fablicos e outros reposit\u00f3rios, de que se destacam o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta e a Sociedade Martins Sarmento, tendo abrangido documentos particulares e de coletividades. Das fontes consultadas, t\u00eam especial interesse as <i>Efem\u00e9rides Vimaranenses<\/i>, em quatro volumes, coligidas por Jo\u00e3o Lopes de Faria, pertencentes \u00e0 Sociedade Martins Sarmento.<\/p>\n<h3 class=\"indent\">Fontes impressas<\/h3>\n<p class=\"indent\">Na pesquisa de fontes impressas, encontramos informa\u00e7\u00e3o relevante em v\u00e1rias categorias de publica\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ol class=\"letters\">\n<li>Publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, especialmente revistas de horticultura, revistas de etnologia e etnografia, revistas geogr\u00e1ficas, e jornais e revistas generalistas, de \u00e2mbito local ou nacional. Especial aten\u00e7\u00e3o foi dada \u00e0 <i>Revista de Guimar\u00e3es<\/i>, ao <i>Boletim de Trabalhos Hist\u00f3ricos<\/i> e aos t\u00edtulos da imprensa peri\u00f3dica local, que constituem uma fonte privilegiada de informa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Monografias e outras obras aut\u00f3nomas, nomeadamente obras corogr\u00e1ficas de car\u00e1ter hist\u00f3rico, mem\u00f3rias paroquiais, relatos de viajantes, obras geogr\u00e1ficas, e atas de encontros hist\u00f3ricos e etnogr\u00e1ficos, entre outras. \u00c9 especialmente relevante o Fundo Local da Biblioteca Municipal Raul Brand\u00e3o. Foram tamb\u00e9m consideradas obras liter\u00e1rias que mencionam \u00e1rvores em Guimar\u00e3es como, por exemplo, as <i>Mem\u00f3rias<\/i> de Raul Brand\u00e3o.<\/li>\n<li>Fontes cartogr\u00e1ficas e topon\u00edmicas, compreendendo as cartas correntemente utilizadas, publicadas pela Dire\u00e7\u00e3o-Geral do Territ\u00f3rio e pelo Centro de Informa\u00e7\u00e3o Geoespacial do Ex\u00e9rcito. A pesquisa topon\u00edmica abrangeu o <i>Report\u00f3rio Topon\u00edmico de Portugal<\/i>, publicado pelo ex-Servi\u00e7o Cartogr\u00e1fico do Ex\u00e9rcito, e foi dada especial aten\u00e7\u00e3o aos top\u00f3nimos registados em fontes cartogr\u00e1ficas hist\u00f3ricas que abrangem o concelho de Guimar\u00e3es, cuja pesquisa est\u00e1 ainda em curso.<\/li>\n<li>Outras fontes impressas, como teses e relat\u00f3rios acad\u00e9micos in\u00e9ditos, guias tur\u00edsticos, folhetos e outros documentos impressos, n\u00e3o inclu\u00eddos nas categorias anteriores, contendo eventuais informa\u00e7\u00f5es sobre \u00e1rvores em Guimar\u00e3es.<\/li>\n<\/ol>\n<h3 class=\"indent\">Fontes iconogr\u00e1ficas e audiovisuais<\/h3>\n<p class=\"indent\">Esta pesquisa procurou localizar esp\u00e9cimes de desenho, pintura e gravura que representem \u00e1rvores de Guimar\u00e3es, dando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 cole\u00e7\u00e3o de pintura e gravura da Sociedade Martins Sarmento, \u00e0s obras do Centro Internacional das Artes Jos\u00e9 de Guimar\u00e3es, e \u00e0s cole\u00e7\u00f5es iconogr\u00e1ficas do Museu Nogueira da Silva, em Braga, e da Biblioteca P\u00fablica Municipal do Porto, cuja pesquisa se encontra em curso.<\/p>\n<p class=\"indent\">No que respeita \u00e0 fotografia, foram consultadas as publica\u00e7\u00f5es resultantes do projeto Reimaginar Guimar\u00e3es, cujo acervo base \u00e9 a <a href=\"https:\/\/reimaginar.muralha.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Cole\u00e7\u00e3o de Fotografia da Muralha \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Guimar\u00e3es para a Defesa do Patrim\u00f3nio\">Cole\u00e7\u00e3o de Fotografia da Muralha \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Guimar\u00e3es para a Defesa do Patrim\u00f3nio<\/a>. Foram consultados outros reposit\u00f3rios, como o Centro Portugu\u00eas de Fotografia e o Arquivo de Documenta\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica da Dire\u00e7\u00e3o-Geral do Patrim\u00f3nio Cultural, e ainda publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas especializadas, dedicadas \u00e0 fotografia.<\/p>\n<p class=\"indent\">Esta pesquisa abrangeu tamb\u00e9m o cinema e o v\u00eddeo, atrav\u00e9s de filmes com refer\u00eancias a \u00e1rvores de Guimar\u00e3es, de que s\u00e3o exemplo Nicolinas (dir. Rodrigo Areias, 2000) e <i>Onde a estrada acaba<\/i> (dir. Rui Dias, 2012).<\/p>\n<h3 class=\"indent\">Fontes eletr\u00f3nicas<\/h3>\n<p class=\"indent\">Esta categoria \u00e9 transversal \u00e0s fontes de informa\u00e7\u00e3o acima mencionadas, nela se incluindo reposit\u00f3rios online, como o <a href=\"http:\/\/www2.icnf.pt\/portal\/florestas\/ArvoresPesquisa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Registo Nacional do Arvoredo de Interesse P\u00fablico\">Registo Nacional do Arvoredo de Interesse P\u00fablico<\/a>, a <a href=\"http:\/\/hemerotecadigital.cm-lisboa.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Hemeroteca Digital \/ Hemeroteca Municipal de Lisboa\">Hemeroteca Digital \/ Hemeroteca Municipal de Lisboa<\/a>, e a <a href=\"https:\/\/www.csarmento.uminho.pt\/hemeroteca\/apresentacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Hemeroteca da Casa de Sarmento\">Hemeroteca da Casa de Sarmento<\/a>. Foram tamb\u00e9m pesquisados blogues relacionados com o tema, nomeadamente <a href=\"https:\/\/dias-com-arvores.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Dias com \u00c1rvores\">Dias com \u00c1rvores<\/a> e <a href=\"\" target=\"_blank\" title=\"Mem\u00f3rias de Araduca\" rel=\"noopener\">Mem\u00f3rias de Araduca<\/a>, pertinentes para o projeto \u00c1rvores-Mem\u00f3ria.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">Das \u00e1rvores-mem\u00f3ria de Guimar\u00e3es<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">Os contactos estabelecidos com os\/as informantes, conjugados com a informa\u00e7\u00e3o obtida nas restantes fontes mencionadas, permitiram organizar uma lista preliminar com cerca de seis dezenas de esp\u00e9cimes arb\u00f3reos, potenciais \u00e1rvores-mem\u00f3ria. Na elabora\u00e7\u00e3o desta lista, recorremos igualmente \u00e0s indica\u00e7\u00f5es obtidas junto da Arq.\u00aa Paisagista Rita Salgado, do Departamento de Urbanismo da C\u00e2mara Municipal de Guimar\u00e3es, que tem vindo a efetuar o levantamento de \u00e1rvores suscet\u00edveis de classifica\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico. Dada a impossibilidade de abordar este conjunto de \u00e1rvores na sua totalidade, devido \u00e0s vicissitudes sofridas pelo projeto, j\u00e1 referidas, optamos por selecionar duas dezenas de \u00e1rvores e conjuntos de arvoredo, sobre os quais se centrou o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o (Anexo I). Apresentamos, em seguida, a t\u00edtulo exemplificativo, as informa\u00e7\u00f5es obtidas sobre duas destas \u00e1rvores \u2013 o sobreiro e o carvalho \u2013, atrav\u00e9s de esp\u00e9cimes que consideramos como \u00e1rvores-mem\u00f3ria.<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sec2\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_2-3.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\">Foto de Adelino Furtado<\/span>\n  <span class=\"legend\">Sobreiro velho da Cit\u00e2nia de Briteiros. Estereofotografia em vidro \/ gelatina sal de prata, captada em setembro de 1935. Arquivo de Documenta\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica \/ DGPC, AF.00817<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Sobreiro velho da Cit\u00e2nia<\/h4>\n<p class=\"indent\">Este esp\u00e9cime de sobreiro (<i>Quercus suber<\/i> L.) encontra-se no Monte de S\u00e3o Rom\u00e3o, na atual Uni\u00e3o das Freguesias de Briteiros S\u00e3o Salvador e Briteiros Santa Leoc\u00e1dia, mais exatamente na acr\u00f3pole da Cit\u00e2nia de Briteiros, junto \u00e0s habita\u00e7\u00f5es castrejas reconstru\u00eddas por Francisco Martins Sarmento (1833-1899). \u00c9 uma \u00e1rvore destacada, vis\u00edvel em <i>clich\u00e9s<\/i> captados c.1874 por este not\u00e1vel arque\u00f3logo e fot\u00f3grafo pioneiro, o que permite atribuir-lhe uma idade n\u00e3o inferior a dois s\u00e9culos. Outrora uma \u00e1rvore frondosa, foi rodeada por um murete de pedra, que a ter\u00e1 resguardado, permitindo repousar sob a sua copa; encontra-se atualmente decr\u00e9pita, mas permanece em p\u00e9, no cimo do monte. Juntamente com outros sobreiros pr\u00f3ximos, tamb\u00e9m longevos mas ainda vivos, ter\u00e1 originado o sobreiral que reveste parte da Cit\u00e2nia, evoca\u00e7\u00e3o de uma ambi\u00eancia vegetal pret\u00e9rita, que remonta \u00e0 \u00e9poca castreja. \u00c9, deste modo, uma \u201c\u00e1rvore geneal\u00f3gica\u201d, que define o esp\u00edrito do lugar e nos liga \u00e0 \u00e9poca em que a Cit\u00e2nia foi habitada (Fernandes 2020). Algo que ter\u00e1 escapado \u00e0 perce\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos do Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF), numa vistoria efetuada em 2018, limitando-se a constatar que o sobreiro se encontrava \u201ctotalmente seco e parcialmente destru\u00eddo, sem possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o\u201d, dando por extinto o processo de classifica\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico requerido pela C\u00e2mara Municipal de Guimar\u00e3es (Despacho n.\u00ba 260\/2019, de 3-01-2019, emitido pelo vogal do Conselho Diretivo do ICNF). Tal n\u00e3o nos impede de considerar esta \u00e1rvore um testemunho vegetal singular, digno de considera\u00e7\u00e3o, cuja forma continua a ser esculpida pelo tempo, \u00e0 medida que se vai decompondo naturalmente.<\/p>\n<p>A pesquisa efetuada permitiu reconstituir uma s\u00e9rie de imagens fotogr\u00e1ficas deste sobreiro, desde os <i>clich\u00e9s<\/i> de Martins Sarmento at\u00e9 \u00e0 foto captada em 2018 por Duarte Belo, publicada pela CDMG em <i>Depois do Tempo. Guimar\u00e3es 1988-2018<\/i> (Belo 2019). Especial interesse tem uma imagem estereosc\u00f3pica, captada em 1935 por Adelino Furtado, ex-governador civil de Leiria, possivelmente durante uma visita familiar, numa \u00e9poca em que a Cit\u00e2nia j\u00e1 se encontrava servida por uma estrada, facilitando o acesso regular de visitantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Outros sobreiros e um objeto-mem\u00f3ria<\/h4>\n<p class=\"indent\">Existem em Guimar\u00e3es outros sobreiros que podem ser considerados \u00e1rvores-mem\u00f3ria. Um deles localiza-se em Briteiros S\u00e3o Salvador, no sop\u00e9 do Monte de S\u00e3o Rom\u00e3o, \u00e0 entrada de uma propriedade privada, estendendo a sua copa sobre a EN309; outro situa-se em Souto Santa Maria, dando nome \u00e0 Rua do Sobreiro nesta localidade; outro ainda \u00e9 mencionado pelo engenheiro silvicultor Ernesto Goes, na sua obra sobre as \u00e1rvores monumentais de Portugal (Goes 1984), situando-se na mata do Pa\u00e7o de S\u00e3o Cipriano, em Tabuadelo; \u00e1rvore multissecular, \u201cmuito conhecida na regi\u00e3o\u201d, chegou a ser classificada de interesse p\u00fablico, mas entretanto desapareceu. Aos sobreiros est\u00e1 associada uma atividade espec\u00edfica &#8211; a extra\u00e7\u00e3o de corti\u00e7a -, que em Guimar\u00e3es \u00e9 praticada de forma difusa, dada a dispers\u00e3o destas \u00e1rvores no territ\u00f3rio. Um dos nossos informantes, C.R., residente em Urgeses, recorda esta pr\u00e1tica no Monte de Santa Catarina, nos sobreiros pertencentes a sortes de mato, ou seja, terrenos onde era ro\u00e7ada vegeta\u00e7\u00e3o para as camas do gado. Da corti\u00e7a extra\u00edda faziam-se corti\u00e7os para apicultura, sendo o \u201cGuido\u201d uma das pessoas da freguesia que sabia faz\u00ea-los, em troca da corti\u00e7a oferecida pelos propriet\u00e1rios dos sobreiros. O nosso informante possui ainda um destes corti\u00e7os, objeto de estima\u00e7\u00e3o cuja mem\u00f3ria liga os sobreiros \u00e0 ancestral produ\u00e7\u00e3o de mel.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec3\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_3-3.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\">Foto de Vinicius A. O. Dittrich (Herb\u00e1rio CESJ)<\/span>\n  <span class=\"legend\">Prancha de herb\u00e1rio com folhas da \u201cCarvalha de D. Mafalda\u201d, colhidas pelo Pe. Leopoldo Krieger na Cerca da Costa (Guimar\u00e3es) em 15 de junho de 1953.\u00a0CESJ 52450<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Carvalha de D. Mafalda<\/h4>\n<p class=\"indent\">Quando um carvalho-alvarinho (Quercus robur L.) atinge uma longevidade assinal\u00e1vel, afrouxando o crescimento em altura e expandido a sua copa, copiosa geradora de bolotas, pode mudar de g\u00e9nero gramatical, passando a ser designado por carvalha (ou carvalheira). Uma das mais c\u00e9lebres carvalhas de Guimar\u00e3es situava-se na cerca do antigo mosteiro de Santa Marinha da Costa, e a ela j\u00e1 aludimos, a prop\u00f3sito do roteiro bot\u00e2nico ali implementado. As refer\u00eancias mais antigas que encontramos sobre esta \u00e1rvore devem-se a In\u00e1cio de Vilhena Barbosa (1811-1890), historiador e arque\u00f3logo, que, num artigo publicado em 1858, menciona as \u00e1rvores seculares do mosteiro da Costa, \u201cd\u2019entre as quaes avulta o celebre carvalho plantado pela rainha D. Mafalda, mulher d\u2019el-rei D. Affonso Henriques\u201d (Barbosa 1858: 296). Um s\u00e9culo antes, num tratado hist\u00f3rico manuscrito, atribu\u00eddo a frei Francisco Xavier Pereira Camello (1748), \u00e9 mencionada a abund\u00e2ncia de carvalhos da cerca mon\u00e1stica, sem que seja feita qualquer refer\u00eancia a \u00e1rvores que se destaquem pelo seu porte ou pela sua origem; temos, assim, margem para questionar a forma como certas tradi\u00e7\u00f5es surgem e se propagam&#8230; Em artigos publicados posteriormente, Vilhena Barbosa esclarece que existiam na cerca do mosteiro dois carvalhos colossais, cuja planta\u00e7\u00e3o \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 rainha fundadora, um dos quais havia secado c. 1834, conservando-se o outro frondoso e cheio de vi\u00e7o, supondo-se ter ent\u00e3o sete s\u00e9culos de idade; o tronco principal, medido em 1845, tinha 47 palmos de circunfer\u00eancia, ou seja, quase 10 m, sendo considerado uma das maiores \u00e1rvores de Portugal, \u201cverdadeiro monumento do reino vegetal\u201d (Barbosa 1864: 340; 1875: 196). Duas fotografias desta \u00e1rvore atestam a sua monumentalidade: uma, captada pelo Pe. Joaquim da Silva Tavares, fot\u00f3grafo e naturalista, foi publicada no fasc\u00edculo da revista <i>Brot\u00e9ria<\/i> de junho de 1925; outra, captada por Alexandre Lima Carneiro, m\u00e9dico e etn\u00f3grafo s\u00e3o-tirsense, publicada no 6.\u00ba volume dos Estudos Etnogr\u00e1ficos, Filol\u00f3gicos e Hist\u00f3ricos de Augusto Pires de Lima, em 1951.<\/p>\n<p class=\"indent\">Esta carvalha viria a sucumbir na in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, j\u00e1 depois da abertura da pousada, tendo dela subsistido, al\u00e9m das imagens fotogr\u00e1ficas, dois ramos com folhas, colhidos em 1953 pelo mission\u00e1rio brasileiro e professor de bot\u00e2nica, Pe. Leopoldo Krieger, durante a sua passagem pelo semin\u00e1rio verbita da Costa. Este testemunho vegetal encontra-se atualmente depositado no herb\u00e1rio da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, onde o Pe. Krieger foi professor e tamb\u00e9m um not\u00e1vel explorador da floresta amaz\u00f3nica (Salimena &#038; Neto 2008). V. G., um antigo aluno do semin\u00e1rio verbita, onde entrou em 1956, recorda a \u201ccarvalha velha\u201d, \u00e1rvore muito grande, com muitos nichos, \u201conde teria sido guardado o Sant\u00edssimo\u201d durante o inc\u00eandio que, em 1951, devastou a ala sul do antigo edif\u00edcio mon\u00e1stico o que, a confirmar-se, faria dela uma \u201c\u00e1rvore-sacr\u00e1rio\u201d. Recorda\u00e7\u00e3o bem distinta \u00e9 a da nossa informante E. G. que, na d\u00e9cada de 1960, j\u00e1 depois de o semin\u00e1rio se ter transferido para as novas instala\u00e7\u00f5es na Madre de Deus, em Azur\u00e9m, encontrava na antiga cerca mon\u00e1stica um espa\u00e7o prop\u00edcio ao lazer, passeando em companhia daquele que viria a ser o seu marido. Uma das fotos do seu \u00e1lbum particular retrata ambos sobre o fuste da Carvalha de D. Mafalda, entre as colossais pernadas da \u00e1rvore.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Carvalha da Condessa<\/h4>\n<p class=\"indent\">Durante os trabalhos de pesquisa do projeto \u00c1rvores-Mem\u00f3ria, foi-nos mencionada pelo nosso informante A. M. a exist\u00eancia de uma \u00e1rvore emblem\u00e1tica na freguesia de Ronfe, que prontamente visitamos, tendo-nos deparado com aquele que \u00e9, possivelmente, o maior exemplar vivo de carvalho-alvarinho no concelho de Guimar\u00e3es. Localizado \u00e0 entrada da Quinta da Condessa, as medi\u00e7\u00f5es que efetuamos em maio de 2019 mostram que a sua altura \u00e9 de 22,5 m, sendo o di\u00e2metro m\u00e9dio da copa ligeiramente superior (23,8 m), ou seja, \u00e9 uma \u00e1rvore quase t\u00e3o alta como copada. O di\u00e2metro \u00e0 altura do peito \u00e9 de 1, 3 m, e o per\u00edmetro correspondente \u00e9 de 4,1 m. Atendendo a estas dimens\u00f5es, a sua idade poder\u00e1 atingir 300 anos. A \u00e1rvore nasceu numa fenda do muro da propriedade que, segundo o nosso informante, foi reconstru\u00eddo por um pedreiro local, c. 1950, de modo a incluir a carvalha no interior da propriedade. \u00c9 uma \u00e1rvore que serve de refer\u00eancia \u00e0 comunidade local, sobretudo como ponto de encontro. Contudo, uma vizinha que entrevistamos, F. S., n\u00e3o associa \u00e0 \u00e1rvore qualquer significado especial, limitando-se a dizer, quanto \u00e0 sua origem: \u201ccai landres e elas nasce\u201d; sobre a longevidade da \u00e1rvore, diz-nos: \u201ctenho 77 anos e ela j\u00e1 era carvalheira\u201d quando nasceu. A propriet\u00e1ria atual da quinta, A. S., recorda brincadeiras infantis em torno e em cima da carvalha e o desvelo com que a sua av\u00f3 tratava a \u00e1rvore, acrescentando: \u201co meu pai diz que l\u00e1 em cima se dorme muito bem\u201d, evoca\u00e7\u00e3o que nos poderia remeter para <i>O Bar\u00e3o Trepador<\/i>, de Italo Calvino, e para toda uma vida em cima das \u00e1rvores.<\/p>\n<p class=\"indent\">Esta carvalha foi a \u201cprotagonista\u201d da visita ao territ\u00f3rio a que j\u00e1 aludimos, organizada pela CDMG em parceria com a Talkie Walkie, efetuada em 21 de setembro de 2019, na qual participou um grupo de pessoas sem receio da chuva que caiu desse dia equinocial.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sec4\">\n<div class=\"mobile capa\">\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Foto_4-3.jpg\" alt=\"\">\n  <span class=\"credit\">Foto de Matilde Seabra (Talkie Walkie)<\/span>\n  <span class=\"legend\">\u201cCarvalha da Condessa\u201d (Ronfe, Guimar\u00e3es), durante o percurso Caminhos em Volta \u2013 As \u00c1rvores nos Objetos de Mem\u00f3ria (21 de setembro de 2019)<\/span>\n  <\/div><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"indent\">Outros carvalhos e carvalhas<\/h4>\n<p class=\"indent\">Durante a pesquisa, encontramos dois exemplos de defesa de carvalhos antigos, que revelam os v\u00ednculos que podem ser estabelecidos com estas \u00e1rvores. O primeiro exemplo, registado pelo Pe. Ant\u00f3nio Ferreira Caldas, na sua monografia sobre Guimar\u00e3es, diz respeito \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de um carvalho \u201csecular e magestoso\u201d, existente num dos largos fronteiros \u00e0 igreja de Santa Marinha da Costa. A sua conserva\u00e7\u00e3o deveu-se \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do vig\u00e1rio frei Francisco de Sousa, que \u201cenergicamente se op\u00f4z ao dono da <i>propriedade de Sant\u2019Anna<\/i>\u201d, perto dali, quando este o quis derrubar, em outubro de 1836 (Caldas 1881: 175). Um s\u00e9culo depois, um outro carvalho mereceu igualmente uma atitude p\u00fablica de salvaguarda. Num artigo publicado n\u00b4O Com\u00e9rcio de Guimar\u00e3es em 6 de novembro de 1936, n\u00e3o assinado, a prop\u00f3sito das obras ent\u00e3o levadas a cabo no Campo do Salvador \u2013 atual Campo de S\u00e3o Mamede \u2013, pede-se que a \u201cenorme e majestosa carvalha\u201d existente ao cimo deste terreiro, onde ent\u00e3o se realizava a feira de gado, seja amparada com \u201cum socalco bem largo e bem subido\u201d que d\u00ea estabilidade \u00e0s suas ra\u00edzes. O an\u00f3nimo articulista acrescenta: \u201c[a]s carvalhas foram sempre consideradas as rainhas das \u00e1rvores nortenhas. T\u00eam pois, majestade e caracter e para al\u00e9m de todas se imp\u00f5e pela sua compostura e pela familiaridade que t\u00eam com os solares mais abastados e com as c\u00earcas mais ricas das mais ricas casas do Norte. Cuidando dela, teremos um regalo para os nossos olhos e daremos sombra aos feirantes que a ela se acolhem nos dias abrasados\u201d. Na edi\u00e7\u00e3o do mesmo jornal, do dia 27 seguinte, o articulista regozija-se com o facto de a sugest\u00e3o ter sido bem acolhida pelo vereador das obras municipais, que entendeu que \u201caquele trabalho de defesa e de prote\u00e7\u00e3o se impunha\u201d, tendo principiado ent\u00e3o as obras respetivas.<\/p>\n<p class=\"indent\">Um outro carvalho, outrora existente em Nespereira, \u201c\u00e1rvore contempor\u00e2nea da funda\u00e7\u00e3o da monarquia\u201d, ter\u00e1 sido um dos motivos decisivos para o escritor Raul Brand\u00e3o (1867-1930) adquirir, em 1899, a Casa do Alto, ent\u00e3o arruinada; as obras de reconstru\u00e7\u00e3o prolongaram-se at\u00e9 cerca de 1912, ano em que o escritor se mudou para ali com a sua esposa, iniciando a fase mais produtiva do seu percurso liter\u00e1rio, residindo na Casa do Alto at\u00e9 final da vida. Nas suas <i>Mem\u00f3rias<\/i> recorda o momento em que conheceu esta \u00e1rvore: \u201cO carvalho centen\u00e1rio cobria todo o eido. Era enorme, era prodigioso. No tronco, que nem seis homens podiam abranger, tinham os bichos as luras e o seu h\u00e1lito sentia-se ao longe. Logo que o vi fiquei apaixonado. &#8211; Vamos viver juntos, vou envelhecer ao p\u00e9 de ti. &#8211; N\u00f3s n\u00e3o ouvimos as \u00e1rvores, mas a sua alma comunica sempre connosco: sua f\u00f4r\u00e7a benigna toca-nos e penetra-nos&#8230;\u201d (Brand\u00e3o 1925: 17-18). Este \u00e9, pois, um exemplo claro do v\u00ednculo essencial que pode ser estabelecido com uma \u00e1rvore.<\/p>\n<h2 class=\"indent\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n<div class=\"indent-wrapper\">Os exemplos apresentados demonstram que h\u00e1 um manancial de mem\u00f3rias e viv\u00eancias sobre \u00e1rvores em Guimar\u00e3es, que \u00e9 poss\u00edvel fazer emergir e registar. Este registo ser\u00e1 importante para mem\u00f3ria futura, mas poder\u00e1 ser pertinente desde logo, se considerarmos as \u00e1rvores como parte do patrim\u00f3nio comum que temos o dever de salvaguardar. A mem\u00f3ria sobre as \u00e1rvores poder\u00e1 desempenhar, assim, um papel ativo nas estrat\u00e9gias de gest\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do arvoredo, possibilitando uma articula\u00e7\u00e3o entre iniciativas (e vontades) p\u00fablicas e privadas.<\/div>\n<p class=\"indent\">Ao longo deste trabalho foram sinalizadas diversas pistas de pesquisa, que poder\u00e3o ser desenvolvidas, caso surja a possibilidade de aprofundar esta linha de trabalho, desejavelmente com o contributo de uma equipa pluridisciplinar. Assim se poder\u00e3o colmatar v\u00e1rias lacunas de investiga\u00e7\u00e3o e reequacionar o papel da mem\u00f3ria na nossa rela\u00e7\u00e3o com as \u00e1rvores. O projeto \u00c1rvores-Mem\u00f3ria, pelas circunst\u00e2ncias em que foi realizado, n\u00e3o constitui um ponto final ou um ponto de chegada. Ser\u00e1, mais propriamente, um pre\u00e2mbulo a um estudo maior, que poder\u00e1 prolongar-se no tempo e aproximar-nos dos aspetos essenciais da nossa rela\u00e7\u00e3o com as \u00e1rvores que nos rodeiam.<\/p>\n<div class=\"table-wrap\">\n        <a href=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Tabela-lista-indicativa-de-arvores-memoria-de-Guimaraes.pdf\" target=\"_blank\" title=\"Lista indicativa de a\u0301rvores-memo\u0301ria de\u00a0Guimara\u0303es\" rel=\"noopener\"><\/p>\n<div class=\"cont\">\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/VedutaXV_btn_download-1.svg\" alt=\"\" width=\"112\" height=\"auto\" class=\"alignnone size-medium wp-image-442\" \/><\/p>\n<div class=\"text-wrap\">\n<span>Tabela<\/span><span class=\"strong\">Anexo I: Lista indicativa de a\u0301rvores-memo\u0301ria de\u00a0Guimara\u0303es<\/span>\n                <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>        <\/a>\n    <\/div>\n<div class=\"notes\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-6\">\n<div class=\"hiper-wrapper no-padd\">\n<div class=\"cont\">\n                        <span class=\"hip\">Agradecimentos<\/span><br \/>\n                        <span class=\"item\">Dr.\u00aa Catarina Pereira, d\u2019A Oficina, pelo seu apoio permanente ao longo deste trabalho.<\/span><br \/>\n                        <span class=\"item\">Arq.\u00aa Paisagista Rita Salgado, do Departamento de Urbanismo da C\u00e2mara Municipal de Guimar\u00e3es, pela sua colabora\u00e7\u00e3o.<\/span><br \/>\n                        <span class=\"item\">Dr.\u00aa F\u00e1tima Regina G. Salimena e ao Prof. Vin\u00edcius Antonio de Oliveira Dittrich, do Departamento de Bot\u00e2nica &#8211; Herb\u00e1rio CESJ, Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais \u2013 Brasil. Aos funcion\u00e1rios\/as do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta e da Sociedade Martins Sarmento, pela sua disponibilidade.<\/span><br \/>\n                        <span class=\"item\">A todos\/as os\/as informantes por n\u00f3s contactados que partilharam, generosamente, as suas viv\u00eancias e mem\u00f3rias sobre \u00e1rvores.<\/span>\n                    <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"biblio\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-4\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"col-lg-4\">\n<div class=\"cont\">\n                    <svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"146.636\" height=\"161.26\" viewBox=\"0 0 146.636 161.26\">\n                        <path id=\"Uni\u00e3o_3\" data-name=\"Uni\u00e3o 3\" d=\"M6241.905,21778.926l.082-1.066,6.373.477.388-5.2-5.8-.437.082-1.051,5.8.438.421-5.646,1.2.088-.973,12.971Zm17.841-12.266,1.246-.273,2.432,3.811,5.324-1.187.59-4.48,1.175-.264-1.869,13.736-1.394.313Zm4.241,4.422,2.864,4.5c.448.705.842,1.438.842,1.438l.033-.01c.011-.088.077-.887.181-1.678l.71-5.275Zm-35.955,4.23,4.607-12.166,1.132.432-4.613,12.16Zm55.654-7.734a3.526,3.526,0,0,1,.465-4.586l-.017-.033-5.548-3.256,1.181-.744,5.34,3.186,3.022-1.9-2.952-4.7,1.022-.639,6.925,11-3.941,2.482a5.382,5.382,0,0,1-2.465.869c-.063,0-.125.006-.188.006A3.267,3.267,0,0,1,6283.687,21767.578Zm2.088-4.662c-1.411.885-2.116,2.291-1.044,3.99.913,1.453,2.383,1.59,3.914.629l2.918-1.836-2.9-4.6Zm-76,5.406,3.395-13.436,1.049.717-1.126,4.383,4.5,3.082,3.679-2.633.995.682-11.314,8.014Zm1.727-2.154c-.2.8-.476,1.592-.476,1.592l.027.016c.077-.049.706-.547,1.356-1.006l4.334-3.088-3.914-2.684Zm87.838-14.135.776-.967a3.432,3.432,0,0,0,4.362-1.191c1.837-2.3,1.022-5.035-1.711-7.221-2.766-2.209-5.466-2.236-7.248-.006a3.755,3.755,0,0,0,.536,5.652l.546.438,2.482-3.111.836.668-3.214,4.027-5.023-4.012.678-.854,1.612,1.285.027-.037a4.36,4.36,0,0,1,.814-4.75c1.94-2.428,5.072-3.215,8.789-.246,3.4,2.721,3.695,6.191,1.634,8.771a5.027,5.027,0,0,1-3.856,2.121A4.032,4.032,0,0,1,6299.341,21752.033Zm10.227-20.18c-4.5-1.34-5.663-4.51-4.783-7.455s3.58-4.932,8.073-3.592c4.531,1.355,5.69,4.537,4.827,7.439a5.379,5.379,0,0,1-5.425,4.033A9.44,9.44,0,0,1,6309.568,21731.854Zm-3.854-7.178c-.749,2.488.6,4.893,4.209,5.975,3.651,1.088,6.083-.174,6.833-2.684.738-2.477-.558-4.848-4.253-5.953a8.7,8.7,0,0,0-2.469-.393A4.165,4.165,0,0,0,6305.714,21724.676Zm-1.224-18.043,13-.137.011,1.209-13,.137Zm-4.373-16.479,12.337-4.105.382,1.143-11.325,3.771,2.121,6.373-1.017.338Zm-7.652-11.8-2.711-3.727,10.527-7.643,2.974,4.1c1.241,1.705,1.448,3.7-.257,4.936a2.774,2.774,0,0,1-3.81-.234l-.027.016a3.176,3.176,0,0,1-.907,4.133,3.685,3.685,0,0,1-2.171.789C6294.706,21680.727,6293.482,21679.762,6292.465,21678.357Zm-1.186-3.34,1.968,2.713c1.317,1.814,2.722,2.307,4.264,1.186,1.5-1.088,1.366-2.629.24-4.187l-2.1-2.887Zm5.2-3.775,2.159,2.973c.847,1.17,2.028,1.951,3.5.881,1.235-.9,1.191-2.209.29-3.443l-2.247-3.094Zm-16.726-4,7.854-10.363.962.727-7.854,10.369Zm-12.829-5.68-4.307-1.633,4.607-12.162,4.739,1.8c1.968.748,3.236,2.295,2.487,4.268a2.771,2.771,0,0,1-3.312,1.893l-.016.031a3.155,3.155,0,0,1,1.5,3.947,3.277,3.277,0,0,1-3.259,2.371A7.012,7.012,0,0,1,6266.923,21661.561Zm-2.826-2.143,3.132,1.188c2.1.8,3.547.432,4.22-1.346.656-1.732-.3-2.951-2.094-3.629l-3.34-1.268Zm2.279-6.006,3.433,1.3c1.35.508,2.766.52,3.411-1.182.542-1.432-.213-2.5-1.645-3.043l-3.58-1.357Z\" transform=\"matrix(-0.946, -0.326, 0.326, -0.946, -1073.329, 22650.533)\" fill=\"#44af62\" stroke=\"rgba(0,0,0,0)\" stroke-miterlimit=\"10\" stroke-width=\"1\"\/>\n                    <\/svg><span class=\"item\">Barbosa, I. V. 1858. O castello de Guimar\u00e3es. <i>A Illustra\u00e7\u00e3o Luso-Brazileira<\/i>, 2 (37): 296<\/span><span class=\"item\">Barbosa, I. V. 1864. Cidade de Guimar\u00e3es. <i>Archivo Pittoresco<\/i>, 7 (43): 338-340<\/span><span class=\"item\">Barbosa, I. V. 1875. Serra de Santa Catharina. O carvalho da rainha D. Mafalda. In: <i>Estudos Historicos e Archeologicos<\/i>. Porto: Livraria Internacional de Ernesto Chardron, tomo II, pp. 191-198<\/span><span class=\"item\">Belo, D. 2019. <i>Depois do Tempo<\/i>. Guimar\u00e3es 1988-2018. Guimar\u00e3es: A Oficina \/ Casa da Mem\u00f3ria de Guimar\u00e3es<\/span><span class=\"item\">Brand\u00e3o, R. 1925. O sil\u00eancio e o lume. In: <i>Mem\u00f3rias. Volume II<\/i>. Lisboa: Livrarias Aillaud &#038; Bertrand, 3.\u00aa ed., pp. 16-26.<\/span><span class=\"item\">Caldas, A. L. F. 1881. <i>Guimar\u00e3es. Apontamentos Para a sua Historia. Volume II<\/i>. Porto: Typographia de A. J. da Silva Teixeira<\/span><span class=\"item\">Calvino, I. [1965]. <i>O Bar\u00e3o Trepador<\/i>. Trad. Jos\u00e9 Manuel Calafate. Lisboa: Portug\u00e1lia Editora<\/span><span class=\"item\">Camello, F. X. P. 1957-1962 [ms datado de 1748]. Tratado Hist\u00f3rico, Cat\u00e1logo dos Priores do Real Mosteiro da Costa (Guimar\u00e3es). <i>Boletim de Trabalhos Hist\u00f3ricos<\/i>, 19: 146-182 (1957), 20: 103-148 (1958), 22: 2-36 (1962)<\/span><span class=\"item\">Crichyno, J., 2013. A \u00e1rvore urbana como s\u00edmbolo po\u00e9tico da mem\u00f3ria social em bairros hist\u00f3ricos de Niter\u00f3i. <i>Geograficidade<\/i>, 3 (1): 59-65<\/span>\n                <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"col-lg-4\">\n<div class=\"cont\">\n                    <span class=\"item\">Fernandes M. M. 2014. A cerca do antigo mosteiro de Santa Marinha da Costa. Apontamento para a sua hist\u00f3ria ambiental. <i>Veduta \u2013 Revista de Estudos em Patrim\u00f3nio Cultural<\/i>, 8: 28-35<\/span><span class=\"item\">Fernandes, M. M. 2020. <i>Sobre um sobreiro velho da Cit\u00e2nia de Briteiros<\/i> [Em linha]. Porto: Rede Portuguesa de Hist\u00f3ria Ambiental. &#8211; Dispon\u00edvel <a href=\"http:\/\/www.reportha.org\/en\/news\/item\/557-naturaetheatrum-et-mundum-thetheatre-of-nature-and-the-world-o-teatro-da-natureza-e-omundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Rede Portuguesa de Hist\u00f3ria Ambiental\">aqui<\/a><\/span><span class=\"item\">Fernandes, M. M. 2021. \u00c1rvores-Mem\u00f3ria. Um projeto de investiga\u00e7\u00e3o para o reposit\u00f3rio da Casa da Mem\u00f3ria de Guimar\u00e3es. <i>Revista Oficina<\/i>, 1: 38-47<\/span><span class=\"item\">Goes, E. 1984. <i>\u00c1rvores Monumentais de Portugal<\/i>. [s. l.]: Portucel.<\/span><span class=\"item\">Lima, A. C. P. 1951. <i>Estudos Etnogr\u00e1ficos, Filol\u00f3gicos e Hist\u00f3ricos. 6.\u00ba Volume<\/i>. Porto: Junta de Prov\u00edncia do Douro Litoral<\/span><span class=\"item\">Salimena, F. R. G.; Neto, L. M. 2008. Padre Leopoldo Krieger S.V.D. 1919-2008. <i>Rodrigu\u00e9sia \u2013 Revista do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro<\/i>, 59(4): [i-ii]<\/span><span class=\"item\">Silva, J. B. 2018. <i>Memorial de S\u00e3o Gens de Calvos&#8230;Como um Romance<\/i>. P\u00f3voa de Lanhoso: Uni\u00e3o das Freguesias de Calvos e Frades.<\/span>\n                <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um projeto de investiga\u00e7\u00e3o em torno do patrim\u00f3nio arb\u00f3reo de Guimar\u00e3es.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216"}],"version-history":[{"count":44,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":444,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216\/revisions\/444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/15\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}