{"id":4686,"date":"2024-11-11T07:00:01","date_gmt":"2024-11-11T07:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/veduta2024\/?p=4686"},"modified":"2024-12-11T14:53:16","modified_gmt":"2024-12-11T14:53:16","slug":"historia-dos-ciganos-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/18\/historia-dos-ciganos-em-portugal\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria dos Ciganos em Portugal: novos caminhos para uma leitura mais diversa do passado"},"content":{"rendered":"<p>A presen\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es de etnia cigana em Portugal data de h\u00e1 mais de 500 anos. Em 1526, a Coroa publica legisla\u00e7\u00e3o contra os \u201cegicianos\u201d, proibindo a sua entrada no Reino e a sa\u00edda, em trinta dias, dos que j\u00e1 c\u00e1 se encontrassem. Muitas destas primeiras comunidades migrantes identificavam-se (ou foram assim representadas por outros) como \u201cdo Egito\u201d ou \u201cda Gr\u00e9cia\u201d e foram chamadas por apodos que apontavam para essas origens, nem sempre reais, antes da uniformiza\u00e7\u00e3o em torno do termo \u201cciganos\u201d, tamb\u00e9m ele com uma etimologia grega.<\/p>\n<p class=\"indent\">Embora o texto legislativo da d\u00e9cada de vinte do s\u00e9culo XVI aponte ainda para um contexto \u201cde chegada\u201d (note-se que \u00e9 dirigido em particular aos oficiais r\u00e9gios das regi\u00f5es fronteiri\u00e7as), outras fontes, como as de natureza liter\u00e1ria<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, indiciam uma presen\u00e7a mais antiga, em linha com uma gradual e mais bem documentada movimenta\u00e7\u00e3o do Leste para o Oeste da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, desde a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XV<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">N\u00e3o deixa de ser significativo, no entanto, que o momento que se assinala como simb\u00f3lico da sua chegada a Portugal coincida com o alvor de uma pol\u00edtica repressiva que sempre acompanhar\u00e1 as comunidades ciganas em Portugal, at\u00e9 \u00e0 Democracia. Depois, o facto de se tratar de uma decis\u00e3o do poder central \u00e9 outra marca que tem acompanhado a historiografia sobre estas popula\u00e7\u00f5es, interpretadas a partir de uma base documental feita de decis\u00f5es produzidas pelo rei e pelos funcion\u00e1rios e institui\u00e7\u00f5es que o rodeavam. Estas caracter\u00edsticas colocam desafios importantes ao trabalho do investigador, entre os quais o mais \u00f3bvio: uma leitura un\u00edvoca do passado das pessoas ciganas, feita a partir de testemunhos daqueles que erigiram como objetivo eliminar \u2014 ou \u201cextinguir\u201d, como se escrevia no s\u00e9culo XVIII a respeito desta minoria \u2014 a sua presen\u00e7a em territ\u00f3rio portugu\u00eas.<\/p>\n<p class=\"indent\">Este texto prop\u00f5e, de forma sucinta, novas abordagens complementares para a investiga\u00e7\u00e3o do passado cigano em Portugal, com \u00eanfase nos primeiros tr\u00eas s\u00e9culos do seu estabelecimento no territ\u00f3rio, que correspondem, grosso modo, ao per\u00edodo conhecido pelos historiadores como a \u00c9poca Moderna (s\u00e9culos XVI-XVIII). Sugerimos uma revaloriza\u00e7\u00e3o das fontes de car\u00e1ter local, assim como a explora\u00e7\u00e3o de um campo de investiga\u00e7\u00e3o ainda pouco perscrutado: os estudos geneal\u00f3gicos, alicer\u00e7ados nos registos paroquiais de nascimentos, \u00f3bitos e casamentos. Estas observa\u00e7\u00f5es resultam de um trabalho de doutoramento recentemente conclu\u00eddo, das reflex\u00f5es que se foram estruturando ao longo do caminho, e de hip\u00f3teses que n\u00e3o se puderam testar por nem sempre serem compagin\u00e1veis com o tempo limitado da investiga\u00e7\u00e3o, feita de forma individual. Todas elas, no entanto, revelam \u201capelidos\u201d de uma \u201ccomunidade \u00e0 margem\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Fontes locais: redescobrir e alargar<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O alerta para a necessidade de olhar para os documentos produzidos a n\u00edvel local n\u00e3o \u00e9 novo. Foi feito, ali\u00e1s, no primeiro trabalho de fundo sobre os ciganos em Portugal, da autoria do etn\u00f3grafo Adolfo Coelho, em 1892. Embora a Hist\u00f3ria propriamente dita seja uma preocupa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria no texto, mais focado no estudo de algumas comunidades ciganas no Portugal do s\u00e9culo XIX, e sobretudo na codifica\u00e7\u00e3o do <em>cal\u00f3<\/em>, a variante ib\u00e9rica da l\u00edngua romani, o autor publica um conjunto amplo de textos dos s\u00e9culos XVI a XVIII. Entre eles, muito gra\u00e7as \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que lhe ia chegando por estudiosos locais como Ant\u00f3nio Tom\u00e1s Pires, ent\u00e3o diretor da Biblioteca de Elvas<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, documentos municipais desta cidade raiana, que transcreve, e de \u00c9vora, para os quais aponta a localiza\u00e7\u00e3o no cart\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"indent\">Olhemos, ent\u00e3o, para as pistas lan\u00e7adas em <em>Os Ciganos em Portugal<\/em>. S\u00e3o um exemplo claro das diferentes nuances que perspetivas locais introduzem. A documenta\u00e7\u00e3o elvense remonta ao final do s\u00e9culo XVI e diz respeito \u00e0 determina\u00e7\u00e3o para a expuls\u00e3o a pris\u00e3o de todos os ciganos que por l\u00e1 passassem, com exce\u00e7\u00e3o de \u00abdois que est\u00e3 avesinhados nesta cidade\u00bb. Em causa a chegada, nesse ano de 1597, de um grupo que se viera \u00abavisinar com precatorio do corregedor do crime da Sidade de Lisboa\u00bb. Temia-se \u00abhum motim contra elles\u00bb por parte da \u00abgente da cidade\u00bb. Eram acusados de roubos, furtos, mas \u00abas testemunhas n\u00e3 sabem expesificaidamente quais dos ditos siganos o fizesse\u00bb. Para al\u00e9m disso, escreviam os oficiais concelhios, \u00abesta cidade ser de gemte belicoza e da raia e acim de comtino acomtesem muitos crimes de diver\u00e7as maneiras, os quais se emcobrem dibaicho desta capa de diserem que os fiser\u00e3 os siganos\u00bb. Os membros da minoria em apre\u00e7o, sem capacidade reivindicativa, s\u00e3o apontados como causa da inseguran\u00e7a vivida em Elvas, mesmo que muitas vezes fossem usados para \u00abencobrir\u00bb os verdadeiros autores dos \u00abmuitos crimes\u00bb. Embora cientes das incertezas em torno do quadro geral tra\u00e7ado, os oficiais locais n\u00e3o vacilam na sua decis\u00e3o de \u00abn\u00e3 se a[d]metirem os ditos siganos nesta cidade pellos gramdes emcomvenientes que quada dia pod\u1ebd soseder por ser tera belicoza e da raia\u00bb<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">A discuss\u00e3o que se depreende dos documentos de Elvas demonstra tens\u00f5es e animosidades populares face a este grupo minorit\u00e1rio, alvo de acusa\u00e7\u00f5es aparentemente sem fundamento. Complexificam-se, pois, as imagens constru\u00eddas na legisla\u00e7\u00e3o portuguesa sobre os ciganos, baseadas numa perspetiva un\u00edvoca em que <em>todos<\/em>, invariavelmente, s\u00e3o malfeitores: causavam \u201cgeral esc\u00e2ndalo\u201d aos \u201cmeus vassalos\u201d pelos \u201croubos e danos\u201d que cometeriam, escrevia o rei em 1606 e, por isso, o seu destino n\u00e3o poderia ser outro que \u201csahirem fora do Reino\u201d<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">Em alguns momentos, pese embora n\u00e3o se questione o car\u00e1ter negativo pr\u00e9-atribu\u00eddo a estas popula\u00e7\u00f5es, abrem-se exce\u00e7\u00f5es. Em 1708 apresentam-se os ciganos como cometendo \u201cexcessos e delitos\u201d, mas abre-se uma exce\u00e7\u00e3o para os que \u201cforem naturaes [de Portugal], filhos e netos de portuguezes com habito, gentio e vida de ciganos\u201d que s\u00e3o obrigados a se instalarem em \u201cdomic\u00edlio certo\u201d e se \u201cvistam do costume do Reino\u201d. A carta \u00e9 dirigida ao Juiz de Fora de Guimar\u00e3es<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. Na regi\u00e3o, como em muitos outros pontos de Portugal, proibia-se a presen\u00e7a cigana, mas, num aparente paradoxo, n\u00e3o se deixava de os utilizar para engalanar festividades p\u00fablicas. As \u201cdan\u00e7as de ciganas\u201d, geralmente uma apropria\u00e7\u00e3o por \u201cn\u00e3o-ciganos\u201d de um imagin\u00e1rio e estereotipo atribu\u00eddo \u00e0 minoria, tiveram uma longa tradi\u00e7\u00e3o no Portugal dos s\u00e9culos XVI a XVIII: em Guimar\u00e3es, as contas da C\u00e2mara registam gastos com o pagamento a \u00abDomingos Dias, das Ciganas que foram na prociss\u00e3o do Corpo de Deus\u00bb (em 1628) ou, em 1645, pela \u00abdan\u00e7a das ciganas estrangeiras\u00bb<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">Outros dados, desta feita extra\u00eddos dos <em>Livros de Chancelaria<\/em>, apontam para particularidades e pr\u00e1ticas que merecem aprofundamento a partir de uma vis\u00e3o local: dos moradores de Morais, atual concelho de Macedo de Cavaleiros, que em 1624 revelam pr\u00e1ticas de alerta e prote\u00e7\u00e3o coletiva contra o \u201cperigo\u201d que diziam sentir em rela\u00e7\u00e3o a ciganos n\u00f3madas<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> ou \u00e0s decis\u00f5es de Montemor-o-Velho, j\u00e1 em 1549, exigindo uma fian\u00e7a \u00e0s pessoas desta etnia que passassem por esse concelho<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">Frente a um contexto legislativo que faz da expuls\u00e3o dos ciganos um dos seus elementos principais, outros dados apontam para a continuidade no territ\u00f3rio. Afinal, apesar das persegui\u00e7\u00f5es de que foram alvo, subsistiram com uma identidade cultural forte e ainda viva na atualidade.<\/p>\n<p class=\"indent\">A documenta\u00e7\u00e3o municipal demonstra que essa persist\u00eancia foi sempre acompanhada de uma grande precariedade. Em janeiro de 1605, por exemplo, Martim do Santo, cigano, apresenta-se perante a verea\u00e7\u00e3o de \u00c9vora. Pedia-lhes que o admitissem como \u00abvizinho\u00bb dessa cidade alentejana, assim como aos seus filhos Manuel, Diogo e Ant\u00f3nio e \u00e0 sua mulher, que n\u00e3o \u00e9 nomeada. O requerente informa ter sido vizinho \u00abnesta cidade sem aver pessoa que se queixasse dele\u00bb. A argumenta\u00e7\u00e3o teve eco positivo junto dos homens da governan\u00e7a, embora com condicionantes gravosas: ele e sua fam\u00edlia teriam de abandonar o contacto com outros ciganos, deixando de os poder acolher em sua casa, de usar o seu traje t\u00edpico e que \u201cnem fale a sua lingoa\u201d.<\/p>\n<p class=\"indent\">Outros pedidos de vizinhan\u00e7a em diferentes concelhos sugerem uma tend\u00eancia semelhante, embora ainda haja um longo trabalho de campo pela frente. Ser\u00e1 necess\u00e1rio examinar a documenta\u00e7\u00e3o de outras \u00e1reas do territ\u00f3rio para compreender se estes casos s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es ou se integravam uma estrat\u00e9gia mais ampla, adotada por algumas fam\u00edlias ciganas, como forma de escapar a uma pol\u00edtica opressiva. Todavia, e ainda guiando-nos pela documenta\u00e7\u00e3o elencada por Adolfo Coelho, percebe-se que a aparente facilidade conquistada por Martim do Santo e outros ciganos facilmente se esboroava: \u00c9vora, que em 1605 se mostrava disposta a manter esse homem e sua fam\u00edlia como residentes no concelho, tinha, em 1557, escrito ao rei solicitando, com sucesso, a revoga\u00e7\u00e3o de \u201cquaisquer provisois d\u2019El Rei meu senhor [\u2026] que os ditos ciganos ou alguns delles tenh\u00e3o pera poderem entrar e andar em meus Reinos, as quaes em todo revogo e ei per revogadas e quero que n\u00e3o tenh\u00e3o for\u00e7a nem vigor algum\u201d<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. Precariedade ainda mais evidente no caso da cidade do Porto. A\u00ed, em 1590, Sebasti\u00e3o de Bustamante e Jer\u00f3nimo de Matos s\u00e3o autorizados a viver na cidade com as suas fam\u00edlias, num processo em tudo semelhante ao visto para Lisboa ou \u00c9vora, com o adicional de lhes ter sido exigida uma fian\u00e7a que cobrisse \u00abtodos as perdas, danos e furtos que os ditos praticassem\u00bb; apenas quinze dias depois a C\u00e2mara determina a expuls\u00e3o de todos os ciganos da cidade da foz do Douro<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Registos paroquiais: uma dif\u00edcil destrin\u00e7a<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como escreve Jos\u00e9 Saramago a dado momento no seu romance <em>Todos os Nomes<\/em>, os registos das conservat\u00f3rias e par\u00f3quias s\u00e3o \u201ccatacumbas da humanidade\u201d onde o investigador ou o conservador se encontra \u201ccercado de nomes\u201d, mas \u201cquem os poder\u00e1 distinguir?\u201d<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> . Quest\u00e3o particularmente evidente no caso dos ciganos portugueses.<\/p>\n<p class=\"indent\">Pensando no caso da \u00c9poca Moderna, h\u00e1 dificuldades relacionadas com o uso do termo cigano. Aparecer\u00e1 ele nos livros de nascimento ou \u00f3bito, ao lado do nome de quem se regista? Jos\u00e9 Correia, um homem de origem cigana morador em Santa Comba D\u00e3o, teve v\u00e1rios filhos at\u00e9 ser confrontado com acusa\u00e7\u00f5es que o levaram aos c\u00e1rceres da Inquisi\u00e7\u00e3o de Coimbra. As informa\u00e7\u00f5es que partilha durante o tempo de deten\u00e7\u00e3o permitiram identificar o assento do batismo de uma das suas filhas, sem vest\u00edgio da sua identidade \u00e9tnica: \u201cAos dezassete dias do m\u00eas de maio de mil e setecentos e cincoenta e hum anos eu, Diogo Coelho da Veiga, que parroqueyo esta Igreja da Vila de Santa Comba Dam, [&#8230;] Batizey a Luzia, filha de Jose Correya e de sua mulher Jozefa Maria\u201d<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>. Sem o cruzamento com outras fontes a etnia cigana desta fam\u00edlia passaria totalmente despercebida ao leitor do registo de batismo de Luzia.<\/p>\n<p class=\"indent\">Outra dificuldade prende-se com o nomadismo de algumas fam\u00edlias ciganas. Se era preocupa\u00e7\u00e3o de homens como Martim do Santo a continuidade da sua vida aparentemente bem estabelecida em \u00c9vora, sem importuna\u00e7\u00f5es resultantes da sua condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, outros tinham uma vida n\u00f3mada ou semi-n\u00f3mada, muitas vezes de car\u00e1ter sazonal e resultado de necessidades relacionadas com ocupa\u00e7\u00f5es e desempenhos econ\u00f3micos, como os da circula\u00e7\u00e3o por feiras e outros entrepostos comerciais<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>. O movimento constante dificulta o seu seguimento nos documentos e o seu enquadramento numa estrutura pouco flex\u00edvel como a dos registos paroquiais. Provavelmente n\u00f3madas seriam os pais \u2014 \u201chuns ciganos\u201d \u2014 da pequena Maria, falecida e sepultada com apenas um m\u00eas de idade em Torre de Coelheiros, termo de \u00c9vora, \u201cpor eles dizerem que fora bauptizada em a freguesia de Santa Anna, termo de Portel deste Arcebispado\u201d<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">A pergunta remete-nos, tamb\u00e9m, para a forma como o termo era interpretado no tempo. Num registo paroquial, o que importava era a condi\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os dos envolvidos \u2014 aspeto que n\u00e3o seria causador de dificuldades aos ciganos de origem ib\u00e9rica. Estas mulheres e homens viveram, no entanto, sempre envolvidos num quadro difuso, em que a sua condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica (dir\u00edamos hoje) era de dif\u00edcil interpreta\u00e7\u00e3o: n\u00e3o se preocupa a legisla\u00e7\u00e3o portuguesa com os que se juntam a \u201cbandos\u201d de ciganos e adotam o seu \u201cmodo de vida\u201d, como se essa conviv\u00eancia fosse suficiente para a absor\u00e7\u00e3o de uma bagagem cultural e social constru\u00edda ao longo de s\u00e9culos?<\/p>\n<p class=\"indent\">No <em>Vocabul\u00e1rio<\/em> de Bluteau ciganos definem-se como \u201cuma <em>ra\u00e7a<\/em> de gente vagabunda\u201d, mas nem sempre se aplicou esse termo. Fa\u00e7amos um breve exerc\u00edcio: como s\u00e3o os r\u00e9us ciganos classificados nos processos da Inquisi\u00e7\u00e3o que os envolvem? Nos documentos usam-se express\u00f5es como \u00abcigano de na\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abdessa casta\u00bb, mas sem concetualiza\u00e7\u00f5es profundas. Juliana Couceiro que j\u00e1 muito doente e velha de oitenta anos confessa ter-se convertido \u00ab\u00e0 lei de Mois\u00e9s\u00bb era, \u00abno que toca a seu sangue\u00bb, \u00abcrist\u00e3-velha e h\u0169a pessoa me disse que era <em>de casta de ciganos<\/em>\u00bb, escrevia-se em 1604<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>. Sempre crist\u00e3os-velhos, a sociedade portuguesa do tempo atribui aos ciganos classifica\u00e7\u00f5es flex\u00edveis. No entanto, em determinados momentos legislativos da \u00c9poca Moderna, caracter\u00edsticas como o uso de trajes diferenciados, o falar uma &#8220;geringon\u00e7a&#8221; (l\u00edngua pr\u00f3pria), a tend\u00eancia para andarem em grupos e a ado\u00e7\u00e3o de determinadas pr\u00e1ticas e atividades econ\u00f3micas eram frequentemente apontadas para refor\u00e7ar a distin\u00e7\u00e3o entre \u201celes\u201d e \u201cn\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p class=\"indent\">Sabemos, no entanto, que nos registos de matrim\u00f3nio essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica (fosse ela lida, no tempo, como \u201cra\u00e7a\u201d ou \u201ccasta\u201d) n\u00e3o se ter\u00e1 perdido completamente. N\u00e3o s\u00e3o claros os motivos para os diferentes crit\u00e9rios no registo, embora n\u00e3o seja de se excluir a possibilidade de haver alguma arbitrariedade de quem escreve. De novo os textos da Inquisi\u00e7\u00e3o s\u00e3o clarificadores. Crist\u00f3v\u00e3o Ramires, um homem cigano degredado para o Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, alvo de interesse dos inquisidores por sobre ele reca\u00edrem acusa\u00e7\u00f5es de bigamia, n\u00e3o chega a ser julgado, mas sobre ele \u00e9 feita uma investiga\u00e7\u00e3o aturada que incluiu a transcri\u00e7\u00e3o do assento do seu primeiro casamento, realizado ainda em Portugal, na Par\u00f3quia de Nossa Senhora do Desterro, Beja, em 1718. A\u00ed os nubentes e suas fam\u00edlias s\u00e3o identificados como ciganos, assim como duas das testemunhas, \u201cMariana Jozefa, Jozefa Ferreira tambem ciganas e outras muitas pessoas que assistir\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">Mobilizar documentos como este, a partir de uma pesquisa sistem\u00e1tica dos livros de <em>paroquiais<\/em>, permitiria aclarar aspetos ainda praticamente desconhecidos sobre o passado hist\u00f3rico destas comunidades, como n\u00edveis de endogamia e sociabilidades. Seria importante, por exemplo, perceber quem s\u00e3o as testemunhas que atestam o matrim\u00f3nio: s\u00e3o de origem cigana? Quais as rela\u00e7\u00f5es com as fam\u00edlias de quem casa?<\/p>\n<p class=\"indent\">Perante as descontinuidades das fontes paroquiais no apontar da etnia cigana dos nomes arrolados, outras estrat\u00e9gias se imp\u00f5em. Uma delas, aqui muito superficialmente ensaiada a partir dos exemplos de Crist\u00f3v\u00e3o Ramires ou Jos\u00e9 Correia, \u00e9 o de an\u00e1lises prosopogr\u00e1ficas, acompanhando as suas vidas e de suas fam\u00edlias ao longo do tempo. Para o Portugal contempor\u00e2neo, a obra <em>Os Maias <\/em>de Carlos Santos Sousa \u00e9 um exemplo not\u00e1vel das potencialidades deste tipo de an\u00e1lises. A\u00ed, os registos paroquiais s\u00e3o uma fonte importante para o estudo da fam\u00edlia cigana oitocentista que intitula a monografia, assinalando o autor o relevo da informa\u00e7\u00e3o sobre os <em>padrinhos<\/em> nos registos de batismo, permitindo perceber rela\u00e7\u00f5es entre grupos sociais nem sempre expect\u00e1veis a partir de leituras mais superficiais, como a exist\u00eancia de membros da nobreza e grandes latifundi\u00e1rios a apadrinhar alguns ciganos<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">Inspiradores s\u00e3o tamb\u00e9m os exemplos que chegam da historiografia europeia. J\u00e1 no final dos anos 50 do s\u00e9culo passado, em Fran\u00e7a, Vaux de Foletier, alertava para o relevo da documenta\u00e7\u00e3o paroquial e elencava alguns exemplos, remontando ao s\u00e9culo XVI. Trabalhos mais recentes destacam a import\u00e2ncia deste tipo de documentos para a \u201cconstru\u00e7\u00e3o de genealogias\u201d e a apreens\u00e3o de um gradual enraizamento territorial<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>. Em Inglaterra, a longa tradi\u00e7\u00e3o de trabalho com os <em>parish records <\/em>levou ao desenvolvimento de bases de dados onde \u00e9 poss\u00edvel identificar registos de ciganos que recuam, pelo menos, ao ano de 1549<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>. Tamb\u00e9m trabalhos como o recente livro de Jeremy Harte, onde a hist\u00f3ria dos ciganos ingleses n\u00e3o \u00e9 dissociada do acompanhamento das vidas de algumas fam\u00edlias com recurso a not\u00edcias de nascimentos, casamentos e \u00f3bitos, embora deixe um alerta que n\u00e3o nos \u00e9 estranho: \u00e9 dif\u00edcil distinguir a \u201cetnicidade\u201d dos nomeados nos registos paroquiais<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As hip\u00f3teses e sugest\u00f5es aqui apresentadas necessitam de um trabalho mais aprofundado. Precisam, sobretudo, do apoio de equipas que mobilizem e construam bases de dados (como no caso dos registos paroquiais) ou que percorram a documenta\u00e7\u00e3o dispersa por diferentes cart\u00f3rios concelhios. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o que tem marcado a historiografia portuguesa sobre os ciganos, feita de contribui\u00e7\u00f5es individuais, dispersas no tempo e sem continuidade: depois de um primeiro momento de interesse no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcios do XX<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>, outros autores como Ol\u00edmpio Nunes<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> e, mais recentemente, Elisa Lopes da Costa<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> retomaram o tema, mas os hiatos temporais entre as diferentes publica\u00e7\u00f5es atestam um desinteresse generalizado s\u00f3 quebrado por iniciativas singulares.<\/p>\n<p class=\"indent\">Uma coisa \u00e9 certa: a desmotiva\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria dos ciganos em Portugal n\u00e3o se deve \u00e0 falta de fontes, ou ao seu esgotamento. Essa foi uma cr\u00edtica cl\u00e1ssica de que foram alvo estas comunidades: ao se manterem durante muitos s\u00e9culos longe do registo escrito eram comunidades \u201csem hist\u00f3ria\u201d. A historiadora espanhola Mar\u00eda Sierra escreveu, at\u00e9, sobre uma \u201cmaldi\u00e7\u00e3o\u201d a que os investigadores n\u00e3o conseguiram ainda escapar totalmente, reduzindo o passado das comunidades ciganas a lugares-comuns e ignorando as vozes oriundas das pr\u00f3prias comunidades. Importa, defende, a descoberta de novas ferramentas de trabalho e um regresso aos arquivos<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"indent\">Como se nota, o caso portugu\u00eas est\u00e1 longe de ser \u00fanico e partilha com outras historiografias algumas das dificuldades aqui diagnosticadas. No exemplo luso, com a particularidade de uma depend\u00eancia muito pronunciada das fontes legislativas. Propusemos dois caminhos para a altera\u00e7\u00e3o desse estado de coisas. \u00c9 agora tempo de os explorar, numa caminhada que se espera menos solit\u00e1ria e valorizadora da multiplicidade e riqueza do passado hist\u00f3rico cigano em Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presen\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es de etnia cigana em Portugal data de h\u00e1 mais de 500 anos. Em 1526, a Coroa publica legisla\u00e7\u00e3o contra os \u201cegicianos\u201d, proibindo a sua entrada no Reino e a sa\u00edda, em trinta dias, dos que j\u00e1 c\u00e1 se encontrassem. 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