{"id":404,"date":"2022-11-26T16:05:26","date_gmt":"2022-11-26T16:05:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/veduta16\/?page_id=404"},"modified":"2025-12-12T14:35:46","modified_gmt":"2025-12-12T14:35:46","slug":"editorial","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/veduta.aoficina.pt\/19\/editorial\/","title":{"rendered":"Editorial"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\">\nPensar em Escultura e, mais precisamente, em escultura p\u00fablica que habita o espa\u00e7o f\u00edsico de Guimar\u00e3es, foi uma possibilidade para voltar a pensar na pr\u00e1tica art\u00edstica inserida na experi\u00eancia de escultora iniciada nas Belas Artes no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Este repensar assente na pr\u00e1tica da escultura \u00e9 dar de cara com modos de ensinar e aprender sobre volumes e escalas, representa\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas, monumentalidades, t\u00e9cnicas pesadas, manualidades de for\u00e7a e movimentos firmes e simultaneamente leves. \u00c9 transportar-me para lugares com forte carga simb\u00f3lica, est\u00f3ica talvez, \u00e9 reencontrar ancestrais hist\u00f3ricos que alimentam a nossa heran\u00e7a cultural, est\u00e9tica, art\u00edstica: se de Brancusi n\u00e3o nos separamos, tamb\u00e9m de Afonso Henrique nos alimentamos (seja qual for a cidade que da Hist\u00f3ria de Portugal se fale, ou se conte). <\/p>\n<p class=\"p1 indent\">Surge ent\u00e3o como uma brisa, uma lufada de ar fresco, encontrar Irene Vilar e Mumadona. E surge, como quem pensa com os seus bot\u00f5es, numa pra\u00e7a com obra de Ana Jotta, uma vontade de conversar com os amigos sobre algumas poss\u00edveis inquieta\u00e7\u00f5es. Assim acontece, entre encontros e desencontros, que um conjunto de especialistas e, se me permitem a ousadia, interessados sobre o assunto, se juntam para pensar para al\u00e9m da Arte, das autorias. Estas pessoas n\u00e3o v\u00eam sozinhas, aparecem carregados de hist\u00f3ria e literatura, arquitetura e biologia, escultores e arquivistas, fot\u00f3grafos e bi\u00f3logos, investigadores ou professores e estudantes&#8230; e perdendo-nos nestes t\u00edtulos e categorias, ficamos nesta pan\u00f3plia de pensamentos, onde a riqueza da interdisciplinaridade, nos cruzamentos entre a mem\u00f3ria e o vivido nos permita alguma op\u00e7\u00e3o na orienta\u00e7\u00e3o, mais do que na seguran\u00e7a, dos que decidimos transportar connosco, ou na d\u00favida dos que ficam e os que v\u00e3o, dos representados e dos que representam, e dos que a presen\u00e7a se torna subtil ou invis\u00edvel, ou quase. Que identidade \u00e9 esta hoje, at\u00e9 onde nos pertence? Essa realidade, a que nos confrontamos todos os dias, a que nos alimenta, aquela habita o nosso imagin\u00e1rio e nos oferece possibilidades de futuros, ser\u00e3o a realidade que podemos anunciar na arte p\u00fablica que ocupam as ruas da nossa cidade?\n<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1 indent\">\nE, durante o ano de 2025, movemo-nos! As esculturas moveram-se! E, as pessoas pararam! Para sussurrar, ouvir, rabiscar, sonhar, representar, divagar&#8230;<br \/>\nAs ruas, as pra\u00e7as, os campos, as salas e as mesas de Guimar\u00e3es tornaram-se palco para que est\u00e1tuas, esculturas, a arte p\u00fablica \u2014 e, at\u00e9 a privada \u2014 fossem as protagonistas desta hist\u00f3ria. Transform\u00e1mos momentos pontuais em prolongamentos de tempos para que encontros, passeios, reflex\u00f5es, entendimentos e questionamentos ganhassem predomin\u00e2ncia no olhar sobre um passado que nos trouxe aqui, o presente que se vislumbra e sobre a mem\u00f3ria futura que estas obras nos contam sobre poss\u00edveis caminhos.<br \/>\nNesta vis\u00e3o digital, fixamos alguns desses percursos: instantes colhidos no meio do concreto, dos muros, da pedra e do bronze, cheios de chuva e estaladi\u00e7os pelo sol, cujos reflexos se projetaram para l\u00e1 de si. Retido entre p\u00e1ginas e desdobramentos variados, damos voz ou prestamos ouvido.\n<\/p>\n<p class=\"p1 indent\">\nPor Jos\u00e9 Pastor somos conduzidos por um itiner\u00e1rio fotogr\u00e1fico que procura humanizar a arte p\u00fablica. Com um gesto simples e radical: olhar as esculturas como quem olha pessoas. Macrofotografar detalhes, remover o pedestal, aproximar-se da pedra para tocar a sua mem\u00f3ria. Com Jorge Palinhos somos recordados que as est\u00e1tuas \u2014 objeto aparentemente permanente e est\u00e1vel \u2014 s\u00e3o, afinal, m\u00f3veis. Movem-se no espa\u00e7o, no tempo e sobretudo no imagin\u00e1rio coletivo. Marta Lima abre-nos as portas de uma metodologia dupla \u2014 a do trabalho pessoal e a da cria\u00e7\u00e3o em contexto p\u00fablico \u2014 revelando como cada pe\u00e7a nasce entre a liberdade criativa e os limites concretos da encomenda. S\u00f3nia Moura convida-nos a redescobrir um patrim\u00f3nio tantas vezes invis\u00edvel: as obras integradas na arquitetura moderna, para mostrar que a cidade \u00e9, tamb\u00e9m, s\u00edntese das artes. M\u00f3nica Guimar\u00e3es lembra-nos que nada disto existe sem mem\u00f3ria. Sem arquivo, n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria; sem registo, n\u00e3o h\u00e1 cidade. A arte p\u00fablica \u00e9 patrim\u00f3nio, mas s\u00f3 permanece como tal quando cuidamos do seu contexto e da sua narrativa. Permanece um convite: a responsabilidade coletiva de guardar, descrever e compreender o patrim\u00f3nio escult\u00f3rico antes que se perca.\n<\/p>\n<p class=\"p1 indent\">\n\u00c9 nesse contexto que \u201cCaminhos em Volta\u201d das esculturas p\u00fablicas de Guimar\u00e3es (M\u00f3nica Faria) fecha este conjunto ou talvez o abra&#8230; Atrav\u00e9s de um roteiro, de um livro de artista e de uma a\u00e7\u00e3o performativa, a cidade transformou-se em corpo transpon\u00edvel e a escultura um acontecimento. N\u00e3o se trata apenas de ver obras: trata-se de habit\u00e1-las, de lhes devolver voz atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. As est\u00e1tuas deixaram de ser apenas objetos: tornaram-se interlocutores, companheiras de caminhada, mat\u00e9ria viva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar em Escultura e, mais precisamente, em escultura p\u00fablica que habita o espa\u00e7o f\u00edsico de Guimar\u00e3es, foi uma possibilidade para voltar a pensar na pr\u00e1tica art\u00edstica inserida na experi\u00eancia de escultora iniciada nas Belas Artes no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. 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